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Advogados ganham €10 milhões no BdP

D.R.

Nos últimos dois anos as adjudicações de serviços jurídicos publicadas pelo Banco de Portugal dispararam

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Após a resolução do Banco Espírito Santo (BES), a contratação de serviços jurídicos externos pelo Banco de Portugal (BdP) disparou, segundo os dados disponíveis no portal Base, que indicam que nos últimos dois anos os encargos do supervisor com advogados ultrapassaram os €10 milhões, dos quais €6 milhões em 2015 e €4,6 milhões em 2016.

Neste período, o principal fornecedor de serviços jurídicos foi a sociedade Vieira de Almeida, à qual foram adjudicados contratos com um valor máximo de €3,2 milhões em 2015 e de €1,5 milhões em 2016. No total, este escritório arrecadou quase 44% das adjudicações do Banco de Portugal para este tipo de serviços.

Na maior parte dos casos registados no portal da contratação pública trata-se de contratos com uma duração de três anos, em que os valores publicados são encargos máximos. O Expresso questionou o BdP sobre o valor realmente pago a advogados, mas a entidade presidida por Carlos Costa não forneceu detalhes, notando, contudo, que essa contratação “assenta no rigoroso cumprimento das regras de contratação pública, designadamente no que se refere à respetiva transparência de montantes máximos envolvidos”.

A fatura com advogados vem somar-se à dos consultores financeiros que o BdP também contratou nos últimos anos e que gerou polémica pelos elevados montantes envolvidos. Entre 2015 e 2016 os contratos de consultoria financeira do BdP ascenderam a €19,5 milhões, dos quais €15 milhões para o BNP Paribas (adjudicado em 2015 pelo processo de venda do Novo Banco). Firmas como a TC Capital, Boston Consulting Group e Oliver Wyman também têm faturado em consultoria. Assim como o ex-secretário de Estado dos Transportes Sérgio Monteiro: a 7 de dezembro de 2016 firmou um contrato de seis meses com o BdP no valor de €152 mil.

No plano jurídico, além da Vieira de Almeida, há outros fornecedores de referência do supervisor da banca. A firma britânica Allen & Overy ganhou contratos de até €2,1 milhões nos últimos dois anos. À Cuatrecasas foram adjudicados contratos de até €1,35 milhões no mesmo período. Para o advogado Pedro Pereira dos Santos as adjudicações ultrapassam €1 milhão. Contratos sempre feitos por ajuste direto.

Os valores que o BdP se dispôs a pagar a advogados externos já depois da resolução do BES são substancialmente superiores aos que eram despendidos antes. Segundo o portal Base, em 2014 o supervisor não registou contratos de serviços jurídicos, mas em 2013 publicou adjudicações nesta área de até €2,6 milhões, em 2012 a fatura foi de €763 mil e em 2011 rondou €1,3 milhões.

O supervisor realça que “a contratação externa de serviços jurídicos pelo Banco de Portugal tem sido justificada, na sua larguíssima expressão, pela aplicação de medidas de resolução ao BES e ao Banif, atendendo, desde logo, a que a litigância que envolve o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução sofreu um aumento, no período de setembro de 2014 até ao final de 2016, de cerca de 900%”.

O Expresso também questionou o BdP sobre se a instituição deveria ou não dotar-se de recursos próprios, para reduzir a contratação externa de advogados. O supervisor garante que tem procurado dar resposta a esta situação com várias estratégias, incluindo o “reforço do universo dos recursos humanos afetos à área do contencioso”. O recurso a firmas externas deve-se à “necessidade de especialização dos prestadores de serviços na temática da aplicação de medidas de resolução”.