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“No mundo dos robôs, há espaço para os humanos”

ATLAS - Desenvolvido pela Boston Dynamics, da Google, este humanoide é capaz de mover-se em pisos acidentados, podendo vir a ser utilizado em cenários de desastres naturais e guerra

A afirmação do título também pode mudar de sujeitos: no mundo dos humanos, há lugar para os robôs. Para Manuela Veloso, que há 30 anos investiga e dá aulas em Pittsburgh, nos Estados Unidos, o futuro está longe dos filmes catastrofistas em que a inteligência artificial (IA) toma conta da humanidade. Os robôs ainda sabem fazer “poucas coisas” e “terão sempre limitações”, pelo que a colaboração entre homem e máquina será obrigatória. É este conceito de “automação simbiótica”, entre a IA e a humanidade, que está na base do trabalho da equipa de Veloso, a portuguesa que está a revolucionar a robótica no mundo, que fundou o campeonato de futebol mundial entre robôs (o RoboCup) e que já recebeu o prémio de carreira atribuído pela Fundação Nacional de Ciências norte-americana. Esteve de visita a Portugal, como oradora no encontro anual do Conselho da Diáspora, que junta portugueses de renome espalhados pelos cinco continentes (a 22 de dezembro) e que, nesta edição, discutiu o tema “Gerir na Era Digital”. Em Portugal, Manuela Veloso está longe do seu assistente pessoal. Um robô, claro. Os “cobots” (collaborative robots), que navegam pela Faculdade de Ciências Computacionais da Carnegie Mellon e executam tarefas: libertam os humanos das funções mais rotineiras e, quando precisam, pedem ajuda. “Estão cá para nos ajudar. Nós é que os inventámos”, diz.

Até 2020, diz o Fórum Económico Mundial (FEM), vamos perder 5 milhões de empregos para a tecnologia. Mas há quem defenda que a tecnologia vai criar mais serviços, mais saúde, mais tempo. Prefere a visão mais otimista?

Os humanos são muito inteligentes. Não foi assim há tanto tempo que as pessoas acordavam e iam trabalhar para o campo. A Humanidade sempre soube reinventar-se. Naturalmente que a automação das atividades humanas colocará muitas dificuldades, sociais e económicas. Será um período de transição difícil: quando os automóveis forem todos automatizados, muitos motoristas vão ficar, de facto, sem emprego. Quando os filhos destas pessoas estiverem à procura de trabalho, a profissão de motorista já não existe.

O estudo do FEM diz que 65% das crianças que estão hoje a entrar para a escola terão profissões que ainda não existem...

Vai haver trabalho, mas pode é não ser das 9 às 18 horas. Vai ser uma economia de talento: uma pessoa sabe falar xis línguas, tem um curso de matemática, arranja canos e faz croché. O perfil dessa pessoa vai estar disponível para todos e, quando eu precisar de um tradutor ou de alguém que me faça uma manta, só tenho de a contactar. Isso já acontece, com a Uber e todas essas aplicações que nos encontram canalizadores e empregadas de limpeza, mas vai ser a regra. O trabalho passará a ser algo mais fluído, um intercâmbio de atividades. E, ao mesmo tempo, os homens coexistirão com a IA. Os robôs farão os trabalhos mais rotineiros e as pessoas estarão libertas para a criatividade.

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