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Juros da dívida a 10 anos em novo máximo de 11 meses. Barreira dos 4% ultrapassada

Os juros das Obrigações do Tesouro no prazo de referência já subiram para 4,004% ao final da sessão da manhã desta quinta-feira, segundo dados da Bloomberg. O máximo dos últimos 12 meses registou-se a 11 de fevereiro do ano passado com as taxas a fecharam acima de 4,1%

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário da dívida já galgaram a barreira dos 4% ao final da sessão da manhã desta quinta-feira, segundo dados da Bloomberg. Registaram 4,004%, um máximo de 11 meses, depois das taxas terem fechado acima de 4,1% a 11 de fevereiro de 2016.

O movimento altista é geral à zona euro, com os títulos alemães naquele prazo, que servem de referência, a subirem para perto de 0,3%.

O prémio de risco subiu para 370 pontos base (o equivalente a um diferencial de 3,7 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã que serve de referência), mas está, ainda, a alguma distância dos máximos de 2016, em setembro, com o prémio a registar 390 a 400 pontos base, pressionado pelo strese especulativo em torno do risco de um corte de rating da dívida portuguesa para 'lixo financeiro' pela agência DBRS.

Os analistas apontam para um efeito altista global em toda a zona euro, provocado pela subida de expetativas inflacionistas, depois de conhecidas, esta semana, as estimativas rápidas para a inflação em dezembro na zona euro (1,1%) e na Alemanha (1,7%).

Esta alteração de expetativas gerou entre os investidores na dívida a perceção de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá descontinuar a política monetária expansionista antes de 2018. O que significaria iniciar, ainda em 2017, um processo de “normalização” das taxas de juro que estão em zero por cento, tornando o dinheiro muito mais caro para os bancos da zona euro, e descontinuar a política de aquisição de dívida pública no mercado secundário antes do final programado para dezembro deste ano.

Pressão alemã sobe de tom

A pressão sobre o BCE vinda da Alemanha subiu de tom esta semana visando a próxima reunião da equipa de Mario Draghi já no dia 19. Clemens Fuest, o presidente do influente instituto económico alemão Ifo, sugeriu que o BCE inicie a descontinuação do programa de compra de ativos já na reunião de 9 de março. Uma ronda por economistas germânicos, realizada, esta semana, pelo jornal Bild, apontava para um consenso de que o BCE tem de aumentar as taxas de juro de referência e acabar com a política expansionista.

Uma descontinuação antecipada do verdadeiro ‘resgate’ que o BCE tem realizado, desde março de 2015, aos periféricos do euro, comprando até 1/3 da dívida publica elegível para o programa, poderá ser um terramoto, para mais num ano carregado de momentos políticos críticos na zona euro. Portugal e Itália, dois periféricos com crescimento abaixo da média da zona euro, sobreendividamento e crise bancária, estariam na primeira zona de impacto.

BCE desacelera compras mensais de dívida

O 'resgate' do BCE a Portugal, em termos líquidos, soma 24,6 mil milhões de euros, desde o início do programa de compras de dívida pública no mercado secundário em março de 2015 até final de 2016. A desaceleração no volume mensal líquido de aquisições já se começou a verificar: mais de milhões de euros por mês em setembro, outubro e novembro para 726 milhões de euros em dezembro. Um volume mensal ligeiramente mais baixo registou-se em agosto, num mês que tende a ser menos ativo nos mercados financeiros. Sergundo a Reuters, 40% menos do que permitiriam as regras em vigor do programa.

A divulgação dos resultados no final de dezembro, revela, em relação ao mês anterior, uma quebra de 29% no volume mensal de compras líquidas para Portugal, 34% para a Irlanda (a quebra mais elevada), 22% para a Finlândia, 21% para Espanha e 19,5% para a Itália, considerando os periféricos do euro envolvidos no programa (Grécia está excluída) e um país nórdico que se prevê que esteja próximo de atingir o limite elegível no final de 2017.

Espanha e França pagam mais em primeiros leilões

Nos primeiros leilões de dívida do ano em Espanha e França realizados esta quinta-feira de manhã, os Tesouros pagaram taxas de remuneração mais elevadas do que em emissões anteriores similares no ano passado.

Em Madrid, a 5 anos, o Tesouro espanhol pagou 0,271% versus 0,207% na emissão anterior; a 10 anos, pagou 1,45%, acima de 1,42% anteriormente; a 30 anos, pagou 2,76%, mais do que os 2,569% na operação do ano passado. Em Paris, a Agência francesa do Tesouro pagou agora 0,78% em vez de 0,46% anteriormente a 10 anos e 1,76% versus 1,01% a 30 anos.

A candidata da Frente Nacional em França, Marine Le Pen, disse, esta semana, que, no caso de ganhar as eleições presidenciais à segunda volta em maio próximo, procederá à saída do euro e à redenominação da dívida gaulesa em novos francos.