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Domingues prevê lucro de €200 milhões em 2017 se o plano de reestruturação da CGD for aplicado

Luís Barra

António Domingues, ex-presidente da Caixa, afirma que o banco público terá um lucro de cerca de 200 milhões de euros em 2017 se for aplicado o plano de recapitalização aprovado em Bruxelas no ano passado. O gestor adiantou ainda aos deputados no Parlamento que o plano prevê a saída de 2200 pessoas até 2020

António Domingues, presidente da Caixa entre agosto e dezembro deste ano, começou a ser ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, às 10:15. Teve uma passagem pela Caixa envolta em polémica, e saiu a 31 de dezembro, depois de ter sido convidado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, a 29 de dezembro, a manter-se na liderança do banco público até que Paulo Macedo, e a sua equipa, tivessem luz verde do Banco Central Europeu para tomar posse. Não aceitou, alegando questões jurídicas.

"Credível", "suave" e "conservador" foram algumas das palavras que António Domingues usou para descrever o plano de recapitlização e reestruturação da Caixa, pré-aprovado pela Direção Geral da Concorrência Europeia (DGComp). O ex-presidente da Caixa disse aos deputados que com a aplicação do plano previa que o banco público chegasse ao final deste ano com um lucro de 200 milhões de euros e que o mesmo subisse para 700 milhões de euros em 2020. "Gerir é gerir para o risco, e para isso é preciso capital", sublinhou.

António Domingues adiantou ainda que o plano de recapitalização prevê a saída de 2200 trabalhadores até 2020, 75% dos quais através de pré-reforma, sendo que um conjunto alargado destas pessoas está dois a três anos da reforma.

O gestor esclareceu ainda que foi feita nos últimos meses uma rigorosa avaliação das imparidades (perdas) da Caixa, um processo que envolveu centenas de trabalhadores do banco público, e que António Domingues diz ter acompanhado de perto. "80% das estimativas de imparidades resultam de uma avaliação individual do risco. O exercício está documentado linha a linha", explicou António Domingues. E acrescentou: "Esta estimativa conduz que seja necessário avançar com uma injeção de capital de 2,7 mil milhões de euros". Se este plano avançar, o rácio de crédito em risco da Caixa passará de 12,2% para 9% e o de cobertura de risco subirá de 63% para 76%.