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Domingues confirma que só no dia 29 Centeno lhe pediu para ficar na CGD e esclarece troca de SMS

Luís Barra

O ministro das Finanças só a 29 de dezembro pediu a António Domingues para se manter na presidência da Caixa, até à tomada de posse de Paulo Macedo. Até lá, Mário Centeno nada disse. Depois, comunicou à imprensa que Domingues ficava sem arranjar uma solução jurídica, como tinha ficado previsto. O gestor manifestou-se espantado com o processo e esclareceu no Parlamento a troca de SMS com Centeno, noticiada pelo Expresso Diário

"No dia 27 de dezembro à noite, o senhor ministro mandou-me um SMS (mensagem escrita) a dizer que queria falar comigo. Eu tinha deixado fisicamente a Caixa a 23 de dezembro. Ia de férias e deixei tudo preparado. Durante o dia 28 de dezembro, o senhor ministro não me disse nada, e eu também não ia telefonar", contou António Dominges aos deputados na Comissão de Orçamento, dando início ao esclarecimento sobre a polémica em torno da sua saída, que marcou o arranque do ano.

O gestor prosseguiu com a explicação aos deputados: "No dia 29 de dezembro falámos. Disse-me então o senhor ministro que dava jeito que eu ficasse. Eu respondi que não me dava jeito, mas que aceitava ficar" em nome da estabilidade da Caixa. No entanto, Domingues pediu a Centeno para que arranjasse uma solução jurídica e solicitou que as Finanças falassem com os seus advogados, até porque ele estava fora.

As Finanças comunicam entretanto à imprensa, a 30 de dezembro, que Domingues ficaria nas suas funções em janeiro, até chegada da luz verde do Banco Central Europeu (BCE) à equipa de Paulo Macedo. Porém, nem as Finanças, nem Mário Centeno nada disseram ao ainda presidente da Caixa, nem arranjaram a solução jurídica que permitiria a António Domingues assegurar a transição até à chegada do novo presidente.

"Qual não é o meu espanto (a 30 de dezembro), sai a notícia de que eu não iria sair (da presidência da Caixa). Nõ me tinha sido dito mais nada", confessou o gestor perante os deputados. "À noite, fui confrontado que a informação de que não iria haver uma solução jurídica. Em face disto, não podia manter a minha disponibilidade", esclareceu. "Os compromissos que tinham sido assumidos comigo (pelas Finanças) não estavam a ser cumpridos", desabafou o gestor.

A informação de que António Domingues afinal não ficava até à chegada de Paulo Macedo é avançada a 2 de janeiro de 2017 pelo "Jornal de Negócios". Poucas horas depois começam a sair notícias com a informação de que Domingues não se mantinha na Caixa transitoriamente por questões jurídicas relacionadas com a obrigatoriedade de entrega da declaração de património. "Ao fim da manhã, mandei um SMS ao senhor ministro a dizer que não era isso que tinha acontecido, e que isso era preciso ser esclarecido."