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A Caixa em Espanha “não era rentável e não era de ficar assim”, diz António de Sousa

David Clifford

António de Sousa, presidente da Caixa Geral de Depósitos entre 2000 e 2004, reconhece que a presença do banco público em Espanha não era rentável, e defendeu esta terça-feira que a partir do momento em que se percebeu que não era possível ficar com uma quota de cerca de 3% “não era de ficar nesta situação”

António de Sousa é o ex-presidente da Caixa que arranca em 2017 com a Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da Caixa entre 2000 e 2015. O gestor admite em declarações aos deputados que fazer aquisições em Espanha foi sempre um processo dotado de pouco sucesso e que a partir do momento em que se percebeu que o banco não conseguia ter uma quota de mercado de pelo menos 3% era de repensar a situação.

"A operação da Caixa em Espanha era subóptima, não era rentável e não era de ficar nesta situação", defende António de Sousa, quando questionado sobre a presença do banco público em Espanha. A operação espanhola foi um dos focos de prejuízo da CGD nos últimos anos e é responsável por alguns dos créditos ruinosos feitos pelo banco.

As primeiras aquisições foram feitas no início dos anos 90, depois houve outras tentativas mal sucedidas de aquisição, o que impediu a CGD de obter uma quota de mercado que lhe permitiria ter uma posição confortável em Espanha, explicou António do Sousa. O gestor lembra que no seu mandato houve fusão das operações em Espanha e encerramento de alguns balcões.

Posição no BCP não era confortável

O gestor confessou que nunca se sentiu muito confortável com a participação de 6,8% que recebeu em troca da venda da sua participação no Banco Pinto & Sotto Mayor, do grupo Mundial Confiança. "Não era uma posição que fosse confortável, porque isso afetava os critérios próprios do banco, como os de solvabilidade", defende. A venda do grupo Champalimaud ao BCP e à CGD foi feito na altura em que Joaquim Pina Moura era ministro das Finanças. O banco público compra a Mundial Confiança, seguradora que controlava o Banco Totta & Açores (BTA), o Crédito Predial Português (CPP) e o Pinto e Sotto Mayor. Depois vende os dois primeiros ao Santander e o Sotto Mayor ao BCP.

.António do Sousa admite porém que apesar e do BCP ter pago o BPSM em ações e não em dinheiro, a solução desenhada por Pina Moura "acabou por não ser uma má operação" para a Caixa. "A CGD comprou a Império Bonança e conseguiu criar o maior grupo segurador português. Depois, em 2012, vendido ao grupo chinês Fosun", sublinhou. E lembrou que foi cumprido um desígnio inicial, o de manter a Caixa em mãos nacionais.