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“O sector da construção não existe”

“Eu estou bem porque opero em 23 países”, diz António Mota, o patrão da Mota-Engil

Rui Duarte Silva

A produção das principais construtoras portuguesas volta a cair em 2016. A indústria não tem obras nem liquidez. A procura de mercados alternativos a Portugal e Angola leva tempo e exige dinheiro

A Soares da Costa está à mercê dos credores, a Teixeira Duarte invoca o estatuto de empresa em reestruturação para despedir e as principais construtoras sofrem em 2016 com o declínio da produção. Pior é sempre possível, mas após a vaga que devastou a indústria da construção, o sector já encontrou um novo equilíbrio? “Que sector? O sector não existe, acabou. Não há obras em Portugal”, responde António Mota, o patrão da Mota-Engil. A indústria portuguesa lida “com dois problemas que estrangulam as empresas. Não há obras nem sector financeiro disponível para acompanhar quem se queira internacionalizar”.

O empresário lidera um conglomerado com lugar reservado entre os 30 maiores europeus. Em 2016, o negócio da engenharia e construção vai gerar, segundo os analistas, uma receita de €2,07 mil milhões (+1,5%), com a América Latina e a Polónia a compensaram a redução em Portugal e África.“Eu estou bem, não me queixo, porque estou em 23 mercados. Das outras empresas não sei, cada um tem de falar por si”, refere António Mota que nota “uma recuperação do negócio lá fora”. E para ilustrar a dimensão da desgraça que se abateu sobre o sector, avança com dois dados que “dizem tudo”. Há sete anos, a faturação do seu conglomerado assentava numa repartição (70/30) favorável ao mercado doméstico — agora o negócio externo pesa 85%. Depois, refere que das 25 maiores recenseadas em 2006, a maioria desapareceu. “Sobram menos de dez. Quer um sinal mais elucidativo da devastação que atingiu o sector?”

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