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Família Monte prospera em Angola

O grupo da Póvoa não se arrepende de ter cedido a MonteAdriano ao fundo Vallis. Foi “a melhor solução”

A família Monte não se arrepende de ter recorrido ao fundo Vallis. A cedência da MonteAdriano permitiu as irmãos Alípio e Manuel libertarem-se de garantias à banca e expandir outras áreas de negócio. O grupo está em modo de renascimento, centrado em Angola e nos negócios do automóvel e ambiente (recolha de lixos). No automóvel, potencia a vocação comercial com uma presença industrial. Prepara para 2017 um investimento de €1,5 milhões, duplicando para 10 mil pneus a produção anual da recauchutagem em Huambo. Em Portugal atua na hotelaria e no Brasil ficou com a empresa de geotecnia — a Fundasol que participa na execução de um anel rodoviário em São Paulo. O grupo emprega 400 pessoas e vai faturar €38 milhões, em 2016.

O regresso à construção pode acontecer “quando o mercado angolano recuperar, a partir de uma gestora de condomínios em Luanda que já procede a pequenas reparações”, diz Tiago Patrício, o representante da terceira geração. Tiago esteve na primeira linha das negociações, em 2012, com o Vallis e a banca. A solução “foi desenhada para proteger a comunidade laboral e defender os interesses da empresa e do país”. A família “não sentiu qualquer pressão da banca”, negociou durante 10 meses “em ambiente cordial”, sem qualquer dose de desespero. Se não houvesse acordo, a MonteAdriano seguiria autónoma e “tinha todas as condições para sobreviver”. Já ajustara a estrutura e operava em dez mercados. No fundo, o Vallis “agilizou um virtuoso processo de racionalização” num momento em que “o sector definhava e o mercado acentuava o declínio”.

Já os irmãos Eusébio, de Braga, dedicam-se agora à exploração agrícola e ao imobiliário, depois de perderem a construtora que, nos melhores anos, faturou €70 milhões. A Eusébios ficara inativa “e numa situação insustentável”. A falência “era inevitável se o fundo não absorvesse a construtora” reconhece um ex-diretor, próximo da família. Entre estaleiros, quintas e ativos imobiliários que a Eusébios entregou, a banca (credora de €43 milhões) “não terá ficado a perder”.