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DBRS: adiamentos na CGD e no Novo Banco aumentam incerteza

A primeira tentativa de venda falhou e, nesta segunda ronda, não está fácil vender o banco que nasceu do fim do BES

José Carlos Carvalho

Para a agência de rating canadiana DBRS, os adiamentos na CGD e no Novo Banco podem aumentar os receios dos investidores em relação a Portugal. Esta sexta-feira, a dívida pública soberana portuguesa termina o ano com a primeira queda desde a crise de 2011.

O adiamento da recapitalização da Caixa geral de Depósitos (CGD) e da venda do Novo Banco podem aumentar a incerteza no sector da banca e também elevar os receios dos investidores em relação a Portugal, afirma Adriana Alvarado, analista para Portugal da DBRS.

A única agência de rating que mantém Portugal com uma classificação de ‘grau de investimento’ espera que a recapitalização da CGD se concretize “provavelmente, no primeiro trimestre de 2017”.

“O adiamento da recapitalização da CGD e da venda do Novo Banco pode aumentar a incerteza para o sector da banca e elevar os receios dos investidores”, afirma Alvarado ao Expresso.

Sobre a operação de recapitalização da CGD, aponta que “vai pesar na dívida pública mas também vai fortalecer o sector bancário”.

Em relação ao banco 'bom' que resultou do colapso do Grupo Espírito Santo, a DBRS “não incorporou a venda do Novo banco nas suas previsões para a dívida pública, mas a venda pode contribuir para a sua redução”.

Portugal tem sido castigado no mercado secundário de dívida num cenário de saída de investidores das obrigações em geral. Entre os fatores que tornam Portugal mais frágil está a sua elevada dívida pública, o vulnerável sector bancário e os limites na política de compras de ativos por parte do Banco Central Europeu (BCE).

O BCE tem ajudado Portugal a manter controlados os juros da dívida no mercado secundário. Uma maior incerteza a nível global coloca o país no radar, como um ponto frágil na carteira dos investidores e casas de investimento.

Os juros das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos seguem com uma ligeira subida esta sexta-feira, para 3,758%, segundo dados da Bloomberg.

A dívida soberana portuguesa, tal como a italiana, termina 2016 a sofrer a primeira perda desde a crise de dívida europeia em 2011.

Portugal tem uma “almofada importante”

Em termos de necessidades de financiamento para 2017, Adriana Alvarado destaca que Portugal “tem uma almofada importante”.

De acordo com o IGCP-Agência para a Gestão da Tesouraria e Dívida Pública, as necessidades do Estado são mais baixas em 2017 face ao presente ano e a posição de Tesouraria é estimada em 9,3 mil milhões de euros no final de 2016.

Também sublinha “o favorável perfil de maturidade da dívida”. “Em particular, o perfil de maturidade relativamente longo da dívida pública significa que o impacto de juros da dívida mais elevados nos custos com juros seria gradual”.

Adriana Alvarado lembra que outros fatores que a DBRS “tem em conta na avaliação das dinâmicas de dívida pública são o excendente primário e o crescimento”.

O nível e perspetiva para a dívida pública portuguesa face ao Produto Interno Bruto é um dos fatores que pesam na atribuição de melhores ratings ao país.

A DBRS é a única que segura Portugal acima da classificação de ‘lixo’ permitindo ao país a elegibilidade da sua dívida para acesso ao programa de compras de ativos do Banco Central Europeu.

O programa de compras do BCE tem permitido a Portugal manter juros da dívida mais controlados no mercado secundário.

A DBRS reavalia Portugal a 21 de abril de 2017. Na sua última avaliação, em outubro, manteve Portugal com classificação de ‘grau de investimento’ e perspetiva ‘estável’.