Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

2016 levou o PSI-20 ao tapete

ERIC PIERMONT

O ano foi positivo para as principais Bolsas mundiais. O mesmo não se pode dizer do PSI-20 que desceu em 2016 um novo mínimo dos últimos 20 anos, pelo menos. E fecha o ano com uma desvalorização de 11,9%, a pior entre os principais índices da zona euro. O volume no último trimestre mostra a escassez de investidores em Lisboa

O ano 2016 levou o PSI-20 ao tapete. Novo mínimo de duas décadas, pelo menos. Investidores em fuga. Isto num ano que até foi positivo para as principais bolsas mundiais. O fraco crescimento económico, a crise na banca, o clima de incerteza a nível internacional, a elevada dívida pública de um país que está preso por um fio a apenas um rating acima de território de ‘lixo’.

“Em Portugal, a bolsa teve um desempenho consideravelmente pior do que as restantes praças europeias. A bolsa continua a ser pouco atrativa em geral, sem prejuízo de algumas boas empresas que continuam a ser interessantes para investidores específicos, mas que são nichos se os enquadrarmos no panorama geral das bolsas”, afirma Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros.

Nem tudo foi mau, em Lisboa. Há alguns fatores positivos em termos de admissão à negociação tanto de ações como de obrigações.

No resto da Europa, as Bolsas de “Frankfurt e Paris tiveram um excelente final de ano, imunes à instabilidade na União Europeia, aos atentados terroristas e aos importantes processos eleitorais a acontecer em 2017”. E em Londres, o índice bolsista FTSE 100 termina 2016 com um novo recorde. “Não se posse dissociar a queda da libra pós-Brexit desta subida”, diz Garcia.

“Em geral, as bolsas parecem descontar um ambiente propício ao negócio em função de políticas de estímulo por parte dos governos”, diz.

Nos Estados Unidos, foi um ano de máximos históricos. “Em Nova Iorque os índices bateram máximos de forma consecutiva, ainda que encerrem o ano a dar indicações de que podem corrigir em breve”, aponta Filipe Garcia. Wall Street tem subido à boleia de expectativas positivas em relação às políticas de investimento prometidas pelo recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Trump irá tomar finalmente tomar posse e chegará a hora da verdade sobre que tipo de políticas a nova Administração poderá e conseguirá implementar. As bolsas anteciparam os efeitos positivos que esperam da Administração Trump”, aponta o mesmo economista.

Quanto ao dólar, beneficiou da atratividade das bolsas e da politica monetária da Reserva Federal norte-americana que ajudaram a moeda a subir a máximos de13 anos.

Estes são alguns factos e números das Bolsas no ano de 2016:

Bolsa portuguesa

  • PSI-20 perdeu 11,9% para 4.679,2 pontos. Esta sexta-feira subiu 0,23%. A 24 de junho fixou novo mínimo dos últimos 20 anos, pelo menos, segundo dados da Reuters
  • Estrearam no índice três empresas: Sonae Capital, Corticeira Amorim e a Caixa Económica Montepio Geral (unidades de participação)
  • A Sonae Capital registou a maior subida (46,7%) e o BCP a maior queda (70,8%)
  • A Galp Energia é a mais valiosa do PSI-20 com uma capitalização bolsista de 10,95 mil milhões de euros
  • A EDP foi a empresa com o maior volume negociado na Bolsa
  • Nos últimos três meses, a média diária de volume negociado pelas empresas do PSI-20 caiu para 27 milhões de ações face a 353 milhões de ações de média diária no resto do ano
  • Foram admitidos 1.135 milhões de euros em ações na Bolsa portuguesa
  • Em termos de obrigações, as admissões ascenderam a 28,5 mil milhões de euros, incluindo três emissões de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável, num montante total de 3,45 mil milhões de euros

MERCADOS INTERNACIONAIS

  • O índice Stoxx Europe 600 fechou o ano em queda, a perder 1,3%
  • O sector das matérias-primas foi o que mais subiu: 61,7%, o sector das telecomunicações caiu 15,9% e o da banca recuou 6,9%
  • O FTSE MIB perdeu 10,2%, o IBEX 35 perdeu 1,3%, o CAC 40 subiu 4,6% e o DAX somou 6,9%
  • Nos EUA, o S&P 500 subiu 9,8%, o Dow Jones 13,7% e o Nasdaq 7,74% (17h55)
  • Na Ásia, o Hang Seng e o Nikkei 225 subiram 0,4%
  • O Brent subiu 51%
  • O ouro valorizou 9%
  • O euro perdeu 3% face ao dólar