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BCP tem em 2016 a maior queda em Bolsa desde o resgate do país

As ações do BCP fecham o ano com novo mínimo histórico e abaixo do valor pago pela Fosun para entrar no capital do banco. Em 2016, o BCP regista a segunda maior queda anual dos últimos 20 anos. Desde 2011, é a maior descida anual das ações do BCP.

O BCP registou em 2016 a maior queda em Bolsa desde 2011, quando ocorreu o resgate de Portugal, e fecha o ano com novo mínimo histórico.

As ações do banco desceram esta quinta-feira aos 1,02 euros, um novo mínimo. Mas acabaram por fechar a subir 0,96%, tendo durante a sessão superado os 1,07 euros.

A descida do BCP em 2016 está no topo das maiores quedas registadas este ano no sector na Europa. Dos bancos cotados que compõem o índice Stoxx Europe 600, a maior descida (74,8%) é registada pelo Banco Popolare.

Este índice regista em 2016 uma descida de 6,8%, enquanto o índice lisboeta PSI-20 acumula uma queda de 12,4%.

"O BCP pode vir a registar novos mínimos. Esta recuperação de hoje é técnica e não tem explicação. A ação tem um suporte forte em um euro. Se descer abaixo disso, pode acentuar a descida", diz Pedro Oliveira, operador da GoBulling.

"Há várias questões a penalizar o BCP: a subida dos juros da dívida soberana, os problemas no italiano Monte dei Paschi e a fraca liquidez nesta época. E os investidores prepararam-se para o início do ano, normalmente um período de alguma correção nas bolsas", afirma o mesmo operador.

Desde o dia 8 deste mês de dezembro, as ações do BCP acumulam perdas de 22,1%.

A agência de ratings Fitch anunciou a 22 de dezembro que colocou a banca portuguesa com perspetiva 'negativa' devido à situação frágil em termos de capital.

Entre outros eventos recentes em torno do BCP, conta-se, a 19 de dezembro, a aprovação em Assembleia Geral do banco da subida dos limites de direitos de voto de 20% para 30%, como exigido pelo novo acionista, a chinesa Fosun.

No dia 12 de dezembro, o Banco Sabadell anunciou a venda de 4,08% que detinha no BCP, operação efetuada a 1,15 euros por ação e cuja conclusão foi comunicada ao mercado a 13 de dezembro.

Antes, a 20 de novembro, a Fosun passou a ser o maior acionista do BCP com uma participação de 16,7% obtida através de subscrição de um aumento de capital do banco, a 1,1089 euros por ação.

Na sessão desta quinta-feira foram negociados mais de 3,1 milhões de títulos. O índice Stoxx Europe 600 para a banca desceu hoje quase 2%.