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Família Amorim fica €322,8 milhões mais rica em cinco meses

As posições de Américo Amorim 
na Bolsa portuguesa têm-se valorizado este ano

Egídio Santos

O bom momento em Bolsa valorizou as posições de Amorim na Galp e na Corticeira, reforçando o património do homem mais rico do país

Miguel Prado, Margarida Cardoso e Helena Peralta

Quando a revista “Exame” publicou, no último verão, o seu trabalho anual sobre os homens mais ricos do país, o empresário Américo Amorim assumia a figura central, brilhando numa medalha de ouro que se sobrepunha às figuras de Alexandre Soares dos Santos e Vasco de Mello. Desde então, a fortuna do ‘rei da cortiça’ voltou a crescer. A valorização das participações na Galp e na Corticeira Amorim deu à família do comendador um ganho de €322,8 milhões em cinco meses.

O bom momento da Galp e da Corticeira no mercado de capitais proporciona à família Amorim motivos para sorrir. E as perspetivas para ambas as empresas são igualmente animadoras. Mas vejamos primeiro o passado recente das duas cotadas. Curiosamente, em ambas, o clã Amorim reduziu as suas participações: na Galp perdendo dinheiro na venda de ações, na Corticeira ganhando.

Na Galp, Américo Amorim tem uma posição indireta de 18,34% (já que controla 55% da Amorim Energia, dona, atualmente, de 33,34% da petrolífera). Entre 20 de julho (momento considerado para a avaliação da fortuna dos homens mais ricos no último ranking da “Exame”) e 20 de dezembro, essa participação teve uma valorização de €232 milhões em Bolsa (valendo agora €2,15 mil milhões).

Mas, a 20 de julho, a Amorim Energia ainda tinha 38,34% da Galp, vindo a vender uma parcela de 5% em setembro, a €11,69 por ação. Desse lote, 2,75% eram imputáveis à família Amorim. Essa fatia terá permitido a Américo um encaixe de €267 milhões. Mas essa mesma posição valia em julho €288 milhões. O que gerou uma perda de €21 milhões para o comendador face à cotação de julho. Tudo somado, e considerando a redução de participação em setembro, Amorim viu a sua fortuna valorizar €211 milhões com a Galp desde que figurou na liderança dos mais ricos da “Exame”.

Agora, a Corticeira. A família Amorim controlava aproximadamente 85% da empresa, mas em novembro alienou 10%, a €7,9 por ação. O que permitiu um ganho, nessa fatia, de €10 milhões face à cotação de 20 de julho. Os remanescentes 75% tiveram, ao longo dos últimos cinco meses, uma valorização de €101,5 milhões. Resultado: a fortuna dos Amorim associada à sua participação no negócio da cortiça cresceu €111,5 milhões desde que Américo foi uma vez mais “entronado” pela “Exame” como o homem mais rico do país.

Futuro promissor

Se o presente é feliz, o futuro afigura-se promissor. No caso da Galp, agora presidida por Paula Amorim, os analistas financeiros tendem a concordar que a petrolífera se prepara para anos de ‘vacas gordas’, recolhendo os dividendos na exploração petrolífera, sobretudo no Brasil.

No início deste mês, um relatório do Citi recomendava a compra de ações da Galp, subindo o preço-alvo da empresa de €13 para €15 por ação. O Citi considerou credível o processo de eliminação de riscos nos projetos de crescimento que a Galp tem no Brasil. E salientava que o grupo tem hoje um balanço mais sólido, depois da venda de ativos de gás em Portugal, além de esperar um crescimento médio de 20% ao ano. A mesma nota de análise atribuía à Galp “a mais forte carteira de projetos de crescimento a baixo custo”.

Também os analistas do Deutsche Bank estão otimistas com o futuro da Galp, colocando o preço-alvo das ações nos €15,5. A justificação é que a petrolífera portuguesa está a atingir um ponto em que os seus projetos no Brasil começarão rapidamente a gerar um substancial fluxo de caixa. “No próximo ano, a produção no Brasil ganha massa crítica e arranca um período de cinco anos de fortes investimentos. A partir daqui acreditamos que o risco de execução é materialmente reduzido”, aponta o Deutsche Bank. No essencial, a Galp já conseguiu identificar, nos consórcios de que faz parte, os recursos petrolíferos que conseguirá extrair, sendo hoje relativamente baixo o risco de a empresa perder dinheiro com a perfuração de poços secos. E assim, vaticina o banco alemão, em 2017 a Galp poderá voltar a pensar no aumento de dividendos aos acionistas.

Corticeira no PSI-20

Se é verdade que a Galp é um peso pesado da Bolsa portuguesa, com uma capitalização de €10,9 mil milhões, é também verdade que a Corticeira Amorim, que vale um décimo da petrolífera, tem uma história de sucesso desde que entrou para o índice PSI-20, a 21 de março deste ano. A 19 de outubro, a empresa atingiu um máximo histórico de €9,8 por ação, valorizando 42% desde a entrada na primeira divisão da Bolsa portuguesa.

“A recompra de ações, os resultados positivos e os generosos dividendos que vêm sendo pagos têm beneficiado o título. Há quatro anos, a empresa cotava a €1,3 e já pagava dividendos de 16 cêntimos por ação, o que perfaz um dividend yield bastante elevado de 12,3%, uma excelente rentabilidade de uma empresa sólida devido à sua estrutura familiar e centenária”, comenta Paulo Rosa, trader do Banco Carregosa. Declaração de interesses: o banco tem Américo Amorim entre os seus acionistas.

Paulo Rosa admite que a atual rentabilidade do dividendo é menor, devido à valorização da ação. E nota que desde que a família Amorim vendeu 10% da Corticeira o título tem sido negociado sem uma tendência definida. Mas o responsável do Banco Carregosa não tem dúvidas: a entrada no índice PSI-20 deu mais visibilidade à Corticeira Amorim no mercado financeiro.