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Em busca 
da janela 
mais evoluída 
do mundo

Bruno Brás viaja e abre janelas em todo o mundo

Rui Duarte Silva

As caixilharias ‘invisíveis’ da BBG viajam para 10 mercados

Um piano elétrico oferecido por Pedro Abrunhosa à entrada do showroom denuncia que neste fabricante de caixilharias minimalistas em Esposende a melodia é outra. A inovação tecnológica marca o tom da BBG Aluminium Systems que aspira “à janela mais evoluída do mundo”, depois de em 2014 ter sintonizado um novo sistema e registado uma marca própria de alto desempenho (Hyline) que é música para os ouvidos de arquitetos de todo o mundo.

Qual o segredo? A adoção de um sistema fabril “em que é o vidro que desliza sobre os rolamentos fixos na calha, uma solução que inverte a lógica do método convencional”, explica Bruno Brás, o jovem maestro que dirige a orquestra BBG de 115 elementos e uma secção de investigação com 12 técnicos.

A ambição de Bruno é criar a “janela invisível” e maravilhar o mercado “com a caixilharia mais fina e transparente do mundo”, tornando a sua marca uma referência internacional. Nas soluções minimalistas da Hyline,“só se vê vidro, o alumínio fica escondido ou reduzido a linhas finíssimas de 14 ou 18 milímetros de espessura”. Este sistema de “reforços ocultos” combina a estética com o desempenho funcional. As soluções são “leves e elegantes, beneficiando de design sedutor”, assegurando “um desempenho térmico e acústico notável e uma resistência à água e ao vento que supera a concorrência”. O sistema de janelas motorizado (acionado por comando) foi testado, com ciclos de abertura e fecho, 62 mil vezes, dizem os seus responsáveis.

A nova tecnologia permite a aplicação do sistema Hyline em grandes vãos, viabilizando portadas até oito metros de altura, largura ilimitada e mais de uma tonelada de peso. Na dimensão, o recorde está numa moradia em São Paulo, com a utilização de uma porta com 1400 kg de peso — a empreitada representou €1,5 milhões para a BBG. Na receita, o recorde está em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, com um projeto para um sheik que forçou Bruno Brás a assinar um contrato de confidencialidade. São 375 aberturas ocupadas por alumínio e vidro e um orçamento de €2,6 milhões. Mas a carteira de €22 milhões da BBG acolhe obras da França ao Paraguai, passando por Marrocos, Estados Unidos ou México. Em Portugal, zero contratos. Os mais recentes projetos estão nas Baamas, Miami, Ibiza e Saint-Tropez, que, no conjunto, valem mais de €5 milhões.

Visibilidade e prestígio

E, como conseguiu Bruno, em dois anos, tornar-se um cidadão do mundo e aceder a clientes tão sofisticados? Tornando-se íntimo de gabinetes de arquitetos de Paris, São Paulo ou Londres com atuação global que prescrevem os sistemas Hyline. Nesta cruzada, a parceria com o gabinete Saota, baseado na África do Sul, é um caso que arrebata pela influência que concede às redes sociais. O industrial pesquisava soluções e arquitetos, abordou um representante do gabinete que, para sua surpresa, lhe deu troco.

A amizade digital conduziu a um convite para uma visita à base de Esposende. “Foi a viagem mais útil e benéfica que que alguma vez paguei”, comenta Bruno. Ele próprio tem dificuldade em acreditar neste “conto de fadas” empresarial. “A vida está a correr mesmo bem e aconteceu tudo tão depressa!”, espanta-se Bruno que receia deslumbrar-se com o sucesso. Quer “alimentar o sonho, seguir a intuição, com prudência e realismo”, certo que a BBG terá de moderar o crescimento anual (65% desde a fundação).

A BBG já ganhou a “batalha da visibilidade”, conta com uma sucursal em Paris e um showroom em São Paulo e quer ampliar a rede de distribuidores para que os produtos viajem por todo o mundo. Em 2017, investirá num salão de exposições em Paris e o seu agente no Paraguai abrirá um espaço na capital do país. Na promoção externa, a primazia vai agora para a participação em feiras especializadas nas principais capitais, depois a estreia auspiciosa na Venteco, de Madrid, logo com direito a um prémio de melhor pavilhão de arquitetura efémera.

Na frente fabril, a preocupação está na segurança, trabalhando na gama de produtos corta-fogo e antibala e em modelos que permitem esconder a caixilharia quando a porta se abre. E uma base fabril no exterior? “Poderá fazer sentido na América do Sul, por causa da carga tributária, mas não pretendemos transferir a produção de Portugal”, responde Bruno Brás.

De ajudante 
de padeiro 
a empresário

Foi uma carreira amassada em angústias e sofrimento que conduziu Bruno Brás, 36 anos, a líder de uma pequena e média empresa próspera que, entre 120 candidatos, chegou ao pódio do Prémio INSEAD Empreendedorismo que valoriza o carácter inovador, a vocação internacional e o desempenho financeiro. A narrativa encanta e desconcerta. Filho de um trolha e sem cultura empresarial na família, tornou-se ajudante de padeiro aos 15 anos, um emprego que detestou, e seguiu depois para o mundo dos alumínios como comercial de duas empresas. Em 2008, arriscou e abriu uma loja em Viana do Castelo, subcontratando a produção e instalação. “Nem dinheiro tinha para o capital social, tive de pedir €5 mil a um amigo que depois se tornou sócio”, conta. Em oito anos, a BBG amadureceu e criou 120 empregos. Em 2010, evoluiu para a produção de peças de ferro, como portões, estruturas ou escadas, e cresceu por conta das empreitadas de Paris — o negócio do ferro vale ainda 50%. Ao mesmo tempo investia no desenvolvimento da linha de alumínio que este ano se transferiu para uma nave vizinha da sede da empresa. Em 2015, o fundo Explorer injetou €1,5 milhões (ficou com 12% do capital), com recompra anunciada para 2019. As projeções do fundo “são bem mais conservadoras do que as minhas”, diz Brás.

Fundada há oito anos

22 milhões de euros é o valor 
da carteira em 10 mercados externos. Em 2020, 
a meta de faturação 
é de €20 milhões, 
duplicando do valor de 2016
12,5 milhões é avaliação implícita da BBG, fundada em 2008, 
por altura da compra 
de 12% pelo fundo Explorer
375 caixilharias para uma só casa é o recorde da empresa, 
para um cliente do emirado 
do Abu Dhabi