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Vendem-se 350 casas por dia

Só na Área Metropolitana de Lisboa foram 
vendidas 119 casas, em média, por dia (números do 3º trimestre)

Luís Barra

O mercado está em alta: em 9 meses venderam-se mais de €10 mil milhões em imóveis

O regresso em força do crédito à habitação vai ficar seguramente como um dos fatores que mais marcaram o mercado imobiliário residencial em 2016. Os portugueses acolheram entusiasticamente os sinais de abertura da banca e voltaram às compras sendo os responsáveis pela esmagadora maioria das 350 casas que são vendidas em média, por dia, em território nacional. Os estrangeiros absorvem cerca de 20% do mercado.

Números divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que no terceiro trimestre foram transacionadas 31.535 habitações, num total de €3,6 mil milhões. Um crescimento de 15,8% face ao mesmo período do ano anterior: 27.239, números do terceiro trimestre de 2015, a uma média diária de 302 casas.

O mercado residencial sofreu uma quebra em 2011 mas tem vindo a recuperar nos últimos cinco anos. No ano passado ultrapassou-se a barreira das 100 mil casas vendidas (107.302, mais especificamente), uma fasquia que só tinha sido atingida em 2010, com cerca de 130 mil unidades. Nos primeiros três trimestres deste ano foram transacionadas 92.757 unidades.

Apesar de faltar ainda a contabilização do último trimestre do ano e com as devidas cautelas sobre o eventual impacto que o anúncio do novo imposto, o Adicional ao IMI, poderá ter causado nas intenções de compra, Luís Lima, presidente da APEMIP — Associação dos Profissionais e das Empresas de Mediação de Portugal, não tem dúvidas em afirmar: “Em dois anos — 2015 e 2016 — teremos um crescimento de 50%. É a confirmação inequívoca da recuperação do sector”.

Uma retoma assente maioritariamente no mercado nacional. E que deverá consolidar-se até porque, como salienta Luís Lima, “a banca tem vontade de aumentar o crédito à habitação em 2017”.

Já os estrangeiros “deverão representar 23% das vendas”, segundo estima o responsável da APEMIP, uma tendência que deverá manter-se em 2017. Mesmo com a desaceleração dos vistos gold, através dos quais muitos chineses investiram em Portugal — “os Golden Visa estão parados ao contrário do que dizem os nossos governantes” —, o mercado tem-se mantido apetecível para outras nacionalidades como os franceses, por exemplo, que requerem o estatuto do Residente Não Habitual (RNH)”, diz Luís Lima.

Em primeiro lugar na lista de estrangeiros a investir em Portugal, recorde-se, estão os franceses com 25%, seguindo-se os ingleses, com 19%, e os brasileiros, com 10%.

“Portugal está na moda e assim deverá manter-se no próximo ano. O potencial do país é maior do que a ‘asneira’ que foi feita com o Adicional ao IMI, mas agora o importante é que o Governo não crie mais dificuldades ao investimento imobiliário”, realça o responsável.

Apesar do otimismo, existem algumas nuvens a ensombrar o potencial do mercado francês: “Se as eleições que vão realizar-se em França no próximo ano mudarem a cor política, isso poderá implicar alterações nos acordos que existem atualmente ao nível do RNH. E isso poderá ser um grande problema para nós que teríamos de arranjar alternativas. Mais uma razão para se acarinhar o investimento chinês, que investe em todo o lado — é neste momento o maior investidor no imobiliário americano, por exemplo — mas que aqui é tão maltratado”.

€10,7 mil milhões em 9 meses

As 107.302 casas vendidas nos primeiros nove meses do ano movimentaram €10,7 mil milhões, revela ainda o relatório do INE. E, das 35 mil habitações alienadas no terceiro trimestre, 10.756 foram transacionadas na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Diz o relatório que a AML “superou a barreira das 10 mil transações de alojamentos, entre julho e setembro de 2016, situação apenas verificada na série disponível para o período entre o terceiro trimestre de 2009 e o terceiro trimestre de 2010”.

Também a região Norte, com um total de 9518 imóveis residenciais vendidos (106 por dia, em média) nesse período, “atingiu o mais elevado registo de transações verificado desde o quarto trimestre de 2010”. Outro destaque nesta compilação de dados do INE vai para os Açores que, “tal como sucedeu nos dois trimestres anteriores, voltou a ser a região do país onde o aumento, em termos homólogos, do número de vendas de alojamentos familiares foi o mais expressivo (36,4%)”.

Se é certo que a primeira habitação é o grande motor destes resultados a nível nacional, o fenómeno do turismo e do alojamento local explicam em grande parte as movimentações que decorrem nos centros históricos de Lisboa e do Porto e também nos Açores, em grande revolução com a entrada das companhias aéreas de baixo custo.

No coração da Invicta, por exemplo, é grande o frenesim de negócios imobiliários que visam aproveitar o grande potencial do turismo que deverá continuar em 2017. “É um movimento inimaginável quando se compara com o estado da cidade há apenas quatro anos”, diz João Magalhães, diretor da Predibisa.

Quem ali está a investir são estrangeiros e alguns nacionais que procuram prédios para reabilitar com quatro ou cinco pisos que possam converter em alojamento local ou pequenos hotéis. “São franceses, holandeses, alemães e irlandeses. Só um investidor irlandês comprou recentemente seis prédios no centro para esse fim”.

Para 2017, a reabilitação vai continuar em força, preconiza o responsável da Predibisa: “Desde a zona dos Aliados, o eixo Sá da Bandeira aos Clérigos e toda a zona de Mouzinho da Silveira/Flores até à Ribeira”.