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Itália. Parlamento aprova 20 mil milhões para a banca e salva o banco mais antigo do mundo

ANDREAS SOLARO/AFP/Getty Images

O banco Monte dei Paschi di Siena avisou esta-quarta feira que a liquidez está a esgotar-se rapidamente e só tem dinheiro para mais quatro meses

O Parlamento italiano autorizou esta quarta-feira o governo a injetar até 20 mil milhões de euros no sistema bancário e evitar o colapso dos bancos mais fragilizados.

A aprovação surge no dia em que o Monte dei Paschi di Siena, o banco mais antigo do mundo fundado em 1472, advertiu que estava a ficar sem liquidez a um ritmo mais rápido do que o anunciado.

O Monte dei Paschi anunciara que a liquidez de 10,6 mil milhões de euros lhe concedia conforto para 11 meses. Mas, esta quarta-feira avisou que o dinheiro se esgotará em quatro meses. Uma boa parte da linha estatal de 20 mil milhões será aplicado na salvação do Monte dei Paschi

As ações do banco foram suspensas por duas vezes de negociação, chegando a perder 16%. Mas, voltaram depois em modo de recuperação.

Investidores desconfiados

O banco mais antigo do mundo e terceiro em ativos de Itália luta há vários meses para evitar a bancarrota. A situação deteriorou-se com a instabilidade política que tomou conta do país no início de dezembro, após o referendo.

Ficou mais difícil convencer os investidores a participar num processo de recapitalização de 5 mil milhões de euros. Na terça-feira, o banco arrecadou, de acordo com a Reuters, 500 milhões de euros através de uma troca voluntária de dívida em capital, mas esse valor está longe de resiolver o problema.

A decisão do Parlamento acalma os mercados, mas a ajuda estatal terá de respeitar as regras europeias e contar com a concordância do BCE. A principal preocupação das autoridades italianas e europeias reside no efeito de contaminação que o Monte dei Paschi no sistema bancário do país.

Há duas semanas, o BCE rejeitara o pedido do banco para esperar até 20 de janeiro pelo fecho do plano de recapitalização. O BCE obrigou o banco a reduzir o crédito mal parado de 23,5 mil milhões para 14,6 mil milhões de euros, admitindo como meta intermédia, em 2016, 21,8 mil milhões. O banco foi o único que não passou em julho nos testes de esforço realizados a 51 entidades financeiras pela Autoridade Bancária Europeia.

Banca espanhola castigada

Em Espanha, a banca está também na berlinda. A justiça europeia passou uma fatura pesada que segundo o Banco de Espanha será de 4 mil milhões de euros.

Os ganhos que os bancos espanhóis arrecadaram com as chamadas cláusulas de suelo que impediram os clientes de beneficiar no crédito à habitação da descida da Euribor, terão de ser devolvidos, independentemente da data em que foram subscritos os empréstimos. A sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia contradiz a decisão adotada, sobre mesmo assunto, pelo Supremo Tribunal espanhol e explica a desvalorização generalizada da banca espanhola em bolsa, com quedas entre os dois e os seis por cento. O Caixabank, acionista do BPI, perde 3,5%