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Governo italiano vai ter de resgatar o mais velho banco do mundo

O plano de recapitalização do Monte dei Paschi di Siena por investidores privados falhou. Conselho de ministros em Roma deverá aprovar ainda esta semana lei para a criação de fundo de recapitalização. Estado deverá passar a deter entre 50% a 75% do capital do banco

Jorge Nascimento Rodrigues

O plano do J.P. Morgan para a recapitalização por investidores privados do banco italiano Monte dei Pashi di Siena (MPS) foi dado como fracassado esta quarta-feira, adianta o Financial Times. A obtenção de um investidor âncora não foi concretizada e a operação de troca de obrigações por ações abrangeu um montante de 2,4 mil milhões de euros. A Reuters adiantou que se gorou a possibilidade do Fundo Soberano do Qatar investir mil milhões de euros no papel de investidor âncora.

Na bolsa de Milão, as ações do MPS foram suspensas de negociação várias vezes ao longo do dia e fecharam a sessão desta quarta-feira com uma queda de mais de 12%. No conjunto, o índice MIB milanês perdeu esta quarta-feira 0,16%, menos do que Madrid, Lisboa ou Paris, mas o afundamento da valorização do mais velho banco do mundo marcou o dia na Europa, que fechou no vermelho, com exceção do índice Dax em Frankfurt.

Resta agora a intervenção do Estado, mas, para tal, o Conselho de Ministros em Roma terá, ainda antes do Natal, de aprovar um decreto de criação de um Fundo de Recapitalização para poder, de seguida, realizar a sua primeira operação com o MPS, que terá de ser recapitalizado em 5 mil milhões de euros até final deste ano. Os analistas projetam uma subida da participação pública dos atuais 4% para 50% a 75% do capital.

A aprovação esta quarta-feira nas duas câmaras do Parlamento italiano da autorização para o governo se endividar em mais 20 mil milhões de euros abriu o caminho ao fundo de resgate e à possibilidade de intervenção não só no MPS, mas em outros bancos transalpinos em apuros sendo citados o Carige, o Banca Popolare di Vicenza e o Veneto Banca. A coligação que suporta o governo chefiado por Paolo Gentiloni conseguiu no Parlamento o apoio da Forza Italia, de Silvio Berlusconi, mas, o partido com mais intenções de votos nas sondagens, o Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo, votou contra, sendo a favor da nacionalização dos bancos em apuros. O cenário de eleições legislativas antecipadas no primeiro semestre do próximo ano tem ganho cada vez maior peso.

A intervenção do Estado, cumprindo as novas regras europeias de resgates bancários e usando a figura de “recapitalização de precaução”, vai ter de gerir um problema político delicado envolvendo 40 mil pequenos investidores com dívida subordinada. O ministro das Finanças, Pier Carlo Padoan, garantiu hoje no Parlamento que tais investidores não serão afetados ou, se o forem, o impacto será mínimo.

O MPS divulgou hoje que dispõe de uma liquidez para apenas quatro meses, retificando a previsão que fizera há apenas uma semana em que apontava para 11 meses.