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Bolsa. Amorim e Soares dos Santos mais ricos em €800 milhões

Américo Amorim

Tiago Miranda

As fortunas de Américo Amorim e de Soares dos Santos engordam. Na bolsa a empresa que mais se valoriza em 2016 é a Sonae Capital, mas a fortuna da família Azevedo encolheu

Na bolsa de Lisboa, o ano de 2016 revela-se horrível e desastroso para os acionistas do BCP que destruiu mais de dois terços do valor e fustiga em especial as ações dos CTT (-27%) Altri (-20%) e Sonae(-16%).

Desafia a lógica e as ideias adquiridas que a Corticeira Amorim (1,09 mil milhões) bata em capitalização o BCP (900 milhões) ou que o BPI quase duplique o valor que o mercado atribui ao seu concorrente. Só cinco cotadas do PSI-20 valem menos do que o BCP.

E por falar na Corticeira, Américo Amorim é um dos empresários que em 2016 sente a fortuna crescer, segundo o critério bolsista.

Amorim ganha a dois carrinhos. Do lado da Corticeira (+37%) que até esfriou no outono depois de um valor recorde de 1,2 mil milhões, os irmãos António e Américo partilham uma valorização de 295 milhões. Há seis anos, a Corticeira estava a um euro - ontem fechou nos 8,1 euros.

Mas, é na Galp que Américo Amorim sobressai. A empresa acelerou nas últimas semanas à boleia do petróleo e a valorização acumulada de 30% (mais 2,7 mil milhões de valor a distribuir pelos acionistas) impulsiona a fortuna de Amorim em 485 milhões.

A família Soares dos Santos é outro caso a quem o ano de 2016 está a correr bem. A Jerónimo Martins subiu 21% e a capitalização bolsista do acionista de referência está nos 4,8 mil milhões. O ganho em 2016 foi de 830 milhões.

Sonae Capital dispara

Já a família Azevedo sofre com o desempenho da Sonae, apesar de estar em modo de recuperação desde que publicou os resultados do último trimestre. Mas, a Sonae Capital, dirigida por Cláudia Azevedo, regista o melhor desempenho do ano do PSI-20 (+52%).

Fraco consolo para a família Azevedo tendo em conta a dimensão e visibilidade da sociedade, muito exposta ao imobiliário, sobretudo por causa de Tróia. A Sonae Capital replica em bolsa a especulação imobiliária que se regista em Lisboa e no Porto.

O enigma BCP

Com os rácios de capital em mínimos, o BCP é um enigma embrulhado num mistério. Face a ativos duvidosos de 12 mil milhões de euros, serão suficientes as imparidades reconhecidas de 6 mil milhões, tendo em conta os colaterais envolvidos? O banco desatou a fazer mais provisões após a mudança de auditor.

Os analistas lidam com um cenário desolador. O défice de provisões, o efeito na venda do Novo Banco, através do Fundo e Resolução (o BCE pode exigir que se reflitam no capital), as perdas na Polónia se o governo castigar os bancos que concederam crédito à habitação em francos suíços e os 700 milhões de euros falta pagar ao Estado, conduzem a uma soma final entre 3 e 4 mil milhões de euros.

Esta quarta-feira, a bolsa de Lisboa abriu em baixa ligeira (-0,3%), com nove cotadas do PSI-20 em queda. Corticeira Amorim, CTT e Galp são as que mais perdem enquanto a Mota-Engil e Altri lideram nos ganhos.