Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Repsol investe €30 milhões para poder comprar menos combustível à Galp

D.R

Empresa espanhola inaugurou um parque de armazenagem de gasóleo e biocombustível em Sines. Custou 30 milhões de euros, demorou dois anos a construir e serve para reduzir a dependência que tem da Galp

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Há várias gasolineiras a operar em Portugal, mas a maioria dos produtos vêm do mesmo local: a refinaria da Galp em Sines. É lá que marcas como a Repsol, BP ou Cepsa compram combustível em bruto que depois aditivam e vendem ao consumidor final. Para não recorrerem à Galp, estas empresas precisam de ter duas coisas: acesso a navios e tanques para armazenar o combustível que vem nesses navios.

Até agora, a Repsol só tinha uma delas: o acesso aos navios que chegam ao porto de Sines com petróleo (neste caso, um derivado chamado nafta) para abastecer o complexo petroquímico que têm junto ao porto e onde produzem a matéria-prima que é depois usada para fazer plásticos, como um pacote de manteiga, por exemplo. Mas agora já tem também onde guardar o combustível.

A empresa espanhola inaugurou esta segunda-feira um parque de armazenagem junto ao complexo petroquímico, um investimento de 30 milhões de euros que lhe vai permitir guardar 100 milhões de litros de gasóleo e biocombustível.

São três tanques circulares de 20 metros de altura e 47 metros de diâmetro e um outro mais pequeno para o biocombustível, todos eles de um branco quase imaculado. Aliás, tudo neste parque está imaculado e novo. Mas para já não há pessoas, os pequenos escritórios de apoio estão vazios e não há sequer barulho. Há só o típico silêncio que se encontra no meio dos pinheiros e da vegetação semiárida da costa alentejana.

Operação arranca em breve

Apesar do corte da fita, o complexo ainda está em fase de teste e não há uma data definida para entrar em operação. “Em breve”, diz fonte oficial da Repsol, acrescentando que pode ser ainda este ano ou já no arranque do próximo. Mas quando estiver, a empresa espanhola reduzirá significativamente a sua dependência da Galp.

Este complexo de 46 mil metros quadrados, aninhado entre pinheiros, tem uma ligação direta ao porto de Sines, ou seja, o produto refinado vem dos navios de oleoduto diretamente para este novo parque. Isto permite à Repsol trazer gasóleo das suas refinarias em Espanha e também de outros mercados internacionais, em vez de o comprar à Galp como até agora.

Segundo fonte da Repsol, “não houve qualquer tipo de constrangimento com a Galp”, nem sequer há a garantia de que a empresa conseguirá comprar gasóleo a um preço mais baixo, “porque existem cotações internacionais para os produtos refinados e essas é que ditam depois os preços” finais para o consumidor.

O objetivo da Repsol com este investimento de 30 milhões de euros foi precisamente ganhar independência logística da Galp e acrescentar ganhos à sua cadeia de valor, porque passa a depender apenas dela própria para abastecer os seus 453 postos de combustível em Portugal e os seus 1,5 milhões de clientes.

Isto porque foi também feita uma outra ligação ao oleoduto da CLC que liga a refinaria de Sines da Galp a Aveiras de Cima, perto de Lisboa, ou seja, a maior zona de abastecimento do país, de onde saem grande parte dos camiões com combustível para as bombas de gasolina das várias marcas.

"Com este projecto conseguimos estar numa disposição diferente e melhor para conseguir ligar as rotas de abastecimento de combustível ao maior centro de consumo em Portugal, através de uma ligação ao porto de Sines e de uma ligação ao parque da CLC em Aveiras", disse o presidente da Repsol Portuguesa, António Calçada de Sá, em Sines durante a inauguração.

Além disso, será aqui que a Repsol vai guardar a sua parte das reservas estratégicas de gasóleo do país, como é obrigatório por lei. “O país tem de constituir reservas para 90 dias e uma parte é feita pela Entidade Nacional do Mercado dos Combustíveis (ENMC) e a outra pelas companhias. Nós estamos a fazer 30 dias”, disse fonte oficial da Repsol.

Inauguração sem Governo

A cerimónia de inauguração do parque de armazenagem da Repsol decorreu durante o início da tarde desta segunda-feira, com muitos colaboradores da empresa mas poucos represantes oficiais, apesar de nessa manhã o primeiro-ministro António Costa ter estado em Sines em visita ao porto e ao complexo industrial da AICEP.

No evento compareceu apenas o presidente da Câmara de Sines e um responsável da Direção Geral de Energia, que não era o diretor-geral desta entidade. Já o secretário da Energia foi convidado, mas não pôde estar presente por questões de agenda, disse fonte oficial da Repsol.