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Costa ‘apresenta’ solução para os lesados do BES. “Não conseguimos endireitar a sombra de uma vara torta”

Marcos Borga

Iniciativa marcada para depois das 15h tinha sido convocada para apresentar ao país a solução para os lesados do BES. Não foram avançados muito detalhes, houve sobretudo declarações de circunstância

O primeiro-ministro, António Costa, disse esta segunda-feira que a solução encontrada para os lesados do BES deixa a sensação de “dever cumprido”, embora esta tarde não tenham sido avançados mais detalhes sobre como é que vai ser financiada essa solução, numa comunicação em São Bento sem direito a perguntas.

“A solução é o compromisso equilibrado que procura minimizar as perdas existentes”, afirmou António Costa esta segunda-feira, na comunicação dos resultados do grupo de trabalho. “Não conseguimos o milagre de endireitar a sombra da vara torta, mas conseguimos uma solução que não isenta de pagar quem tem obrigação de pagar, permite a quem tem direito de receber que possa antecipar o que tem direito a receber e garante aos contribuintes que não terão de assegurar com o seu esforço a ultrapassagem desta situação”, declarou António Costa em conferência de imprensa.

O primeiro-ministro disse ainda achar que que apesar de não terem endireitado “a sombra da vara torta”, o Governo cumpriu o dever “de assegurar a justiça”, arranjando uma solução para um problema “que era de conflito e que fragilizava a confiança nas instituições e nos produtos financeiros do mercado”.

Ainda sem avançarem mais detalhes sobre a solução encontrada para os lesados do BES, foram feitos elogios ao “equilíbrio” que essa solução traz ao problema. Lacerda Machado, porta-voz do grupo de trabalho, disse que esta solução permite minimizar as perdas dos lesados e resulta de um “notabilíssimo espírito de diálogo” entre as partes envolvidas e um “espírito genuíno de colaboração”.

Diogo Lacerda Machado, o representante do Governo nas negociações com os lesados do GES, considerou por sua vez que a solução encontrada parece “aceitável, equilibrada e exequível” e respeita a recomendação da comissão de inquérito com vista a uma posição concertada das várias entidades envolvidas.

O advogado frisou que a solução encontrada significa, em primeiro lugar, que os clientes lesados aceitaram abdicar de grande parte dos direitos, tendo em conta as particulares circunstâncias da situação. “Os lesados do GES disponibilizaram-se a abdicar de grande parte do que reclamam. Os créditos ascendem a 485 milhões de euros e estão dispostos a receber 286 milhões de euros”, acrescentou.

Também Ricardo Ângelo, presidente da Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial, considera que a solução encontrada traz a sensação de “dever cumprido”. “A solução permite-nos antecipar as nossas poupanças que foram confiadas ao sistema financeiro português”, afirmou, lembrando o “sofrimento” que foram estes tempos. “É extraordinário pôr fim a este processo.” Considerando que a associação dos lesados do BES teve um “comportamento responsável” neste processo, Ricardo Ângelo referiu que a intervenção que tiveram na rua foi “fruto apenas e só de falta de sermos ouvidos”.

Elogiando o papel de António Costa neste processo, Ricardo Ângelo disse ainda que o primeiro-ministro percebeu que este “era um problema do país” e falou de Lacerda Machado como “melhor amigo” de Costa. “É extraordinário o trabalho que conseguiu fazer. Conseguiu criar consenso entre o gato e o rato”, acrescentou.

Está previsto que os lesados que aceitarem a solução do Governo vão receber 75% do valor investido até €500 mil e 50% para as aplicações acima dos 500 mil, montante que será pago durante três anos.