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Preços das casas vão subir em todo o país

António Bernardo

Aumento de 4% a nível nacional. Em Lisboa e Porto, sobem mais

“Há cada vez menos oferta de habitação em Portugal Continental quer no mercado de compra/venda quer no de arrendamento”, conclui o mais recente Portuguese Housing Market Survey, inquérito mensal produzido pelo RICS (Royal Institution of Chartered Surveyors) e pela Confidencial Imobiliário (CI), empresas que gerem informação sobre o sector.

Uma redução da oferta de imóveis que já está a ter impacto nos preços de venda. “Nos próximos 12 meses, antecipa-se mesmo a possibilidade de uma subida elevada de preços em Lisboa, esperando-se que, a nível nacional, os preços cresçam, cerca de 4% ao ano nos próximos cinco anos”, conclui-se ainda. Esta subida de preços é mais acentuada em certas cidades, como realça Ricardo Guimarães, diretor do CI, lembrando que o Índice de Preços em Lisboa atingiu uma média de 10%, sendo que no Porto, no centro histórico, a valorização anda entre os 5 e os 6%.

No inquérito realizado junto de 150 mediadoras localizadas de norte a sul do país, constatou-se que a procura nos mercados de venda e arrendamento se mantém na rota de crescimento. “Isto não quer dizer que não existam muitas casas para venda, não há é muita oferta de imóveis bem situados, bem conservados, dentro dos parâmetros que as famílias desejam. Existe pouco produto imobiliário recente e atrativo”, refere o economista. Nota disso é a tendência para a reabilitação nestas zonas, em que os edifícios renovados estão a ser praticamente todos canalizados para o alojamento local. “No centro histórico do Porto, por exemplo, 70 a 80% dos imóveis reabilitados são T0 e T1”.

Construção nova congelada

A pesquisa mais fina que incidiu em Lisboa, Porto e Algarve apurou que “este é o terceiro mês em que cai o volume de ofertas de imóveis que chegam ao mercado”. Uma tendência que se explica pela falta de confiança no mercado financeiro, aponta o economista: “Os proprietários optam por ‘congelar’ os seus imóveis na contingência de aplicar o capital em outros mercados, para evitar eventuais perdas de valor. Mas também não é evidente que estejam a colocar no mercado de arrendamento”.

Outro fator que explica esta falta de oferta de imóveis no mercado imobiliário é a queda a pique da construção nova, desde o início da crise. A banca — que voltou a conceder crédito aos particulares — continua fechada para as construtoras, pois a pesada herança de incumprimento nos pagamentos ao crédito concedido ainda perdura nas contas das instituições.

Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) confirma que “não há abertura alguma” por parte da banca: “O promotor que queira fazer seja o que for tem grande dificuldade e portanto não faz um prédio com escala, vai fazendo coisas mais pequenas.”

Mesmo assim, diz que “no 3º trimestre registou-se um aumento de licenciamento na construção na ordem dos 15% e a reabilitação urbana cresceu 12,2%”.

Mas não chega. “Este ano, já reabilitámos 2118 obras licenciadas (pequenas, grandes) e fizeram-se 8248 novos fogos. Mas tudo isto é sempre muito pouco para aquilo que é necessário. Antes tínhamos um milhão e meio de edifícios para reabilitar e agora temos um pouquinho menos.”

O presidente da CPCI aposta na reabilitação em detrimento da construção de novos prédios. “Eu preferia que neste momento houvesse uma tendência de mercado para a reabilitação urbana, porque temos um país com muitas casas devolutas, muitas a precisar de renovação e 468 mil famílias que estão em casas sobrelotadas. Neste momento precisamos muito mais de cuidar do nosso parque habitacional do que construir de novo.”

Edificado

2118 prédios reabilitados 
até ao 3º trimestre deste ano, segundo dados da CPCI
8248 fogos novos construídos 
no mesmo período
10% é a valorização média das casas em Lisboa. No Porto 
ronda os 6%
15% 
de aumento do licenciamento na construção no 3º trimestre