Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida norte-americana em subida acelerada

A decisão da Fed em aumentar na quarta-feira a taxa de juros já empurrou os juros das obrigações dos EUA a 10 anos para mais de 2,6%. Haverá contágio à zona euro?

Jorge Nascimento Rodrigues

O anuncio de uma subida das taxas de juro de referência pela Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, na quarta-feira, provocou um aumento de 10 pontos base nas yields das obrigações (US Treasuries) a 10 anos ao final do dia. A trajetória de subida prossegue esta quinta-feira.

As yields das US Treasuries fecharam ontem em 2,57% e já estão esta quinta-feira acima de 2,6%. Comparando com o mínimo histórico registado em julho, de 1,3%, as yields estão, agora, no dobro. Desde a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais a 8 de novembro, a subida é de 75 pontos base, 0,75 pontos percentuais. Desde o Brexit em junho, o aumento é superior a 1 ponto percentual. Em relação a final do ano passado, quando fecharam em 2,27%, a subida está em 34 pontos base.

O prémio de risco da dívida americana em relação à dívida alemã subiu para 225 pontos base - um diferencial de 2,25 pontos percentuais -, um máximo de 27 anos, desde a queda do Muro de Berlim, segundo John Stepek, do Money Morning.

Esta quinta-feira, o mercado secundário da dívida soberana na Europa abriu em alta, com destaque para uma subida de 11 pontos base para as yields das obrigações britânicas, 10 pontos base para as irlandesas e nove pontos base para as gregas (neste caso, conta, também, o impacto negativo motivado pela suspensão da implementação das medidas de curto prazo de alívio da dívida grega comunicada na quarta-feira por um porta voz do Eurogrupo).

No caso das Obrigações do Tesouro português (OT), a 10 anos, a subida das yields foi de dois pontos base na quarta-feira e de sete pontos base esta quinta feira na abertura. Depois de terem baixado para 3,75% na segunda-feira, as yields das OT subiram para 3,77% no fecho de quarta-feira, e abriram em 3,84% esta quinta-feira. A trajetória é, agora, descendente, e já estão abaixo de 3,8% pelas 10h15 (hora de Portugal). Continuam, no entanto, acima de 3,5% registado a 7 de dezembro, antes das decisões do Banco Central Europeu em prolongar o programa de compra de ativos até dezembro de 2017.

Recorde-se que, na quarta-feira à tarde (hora de Washington DC, já depois do fecho das bolsas na Europa), a Fed decidiu subir as taxas de juro de referência para o intervalo entre 0,5% e 0,75% e avançou com projeções que apontam para três subidas adicionais em 2017 com uma taxa de juros de 1,4% no final do ano. Esta projeção para 2017 foi interpretada como uma “normalização” mais rápida, com o encarecimento mais acelerado do custo do dinheiro, para contrabalançar um esperado “aquecimento” da economia norte-americana em virtude do prometido impulso orçamental e da provável desregulação financeira pela Administração Trump. O horizonte de política da nova Administração já é designado por "trumpflation".

  • A presidente da Reserva Federal norte-americana afirmou não ser favorável ao “aquecimento” da economia e considerou que não é necessário atualmente estímulo orçamental para atingir uma situação de pleno emprego. Mas sublinhou que não pretende dar conselhos à futura Administração Trump. Disse que há uma “nuvem de incerteza”

  • O banco central norte-americano decidiu esta quarta-feira subir a taxa de juros de referência em 25 pontos base para o intervalo de referência entre 0,5% e 0,75%. A presidente da Reserva Federal dará uma conferência de imprensa dentro de meia hora em Washington DC

  • Eurogrupo suspende alívio da dívida à Grécia, juros disparam

    Um porta voz do Eurogrupo anunciou esta quarta-feira à tarde que não há unanimidade para implementar medidas imediatas de alteração do perfil da dívida helénica. Juros das obrigações helénicas disparam mais de 1 ponto percentual no prazo a 2 anos. A 10 anos regressam acima de 7%. Bolsa de Atenas quebrou mais de 3%