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Fed sobe os juros

O banco central norte-americano decidiu esta quarta-feira subir a taxa de juros de referência em 25 pontos base para o intervalo de referência entre 0,5% e 0,75%. A presidente da Reserva Federal dará uma conferência de imprensa dentro de meia hora em Washington DC

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central da maior economia do mundo, decidiu esta quarta-feira aumentar em 25 pontos base (0,25 pontos percentuais) o intervalo das taxas de juro de referência para 0,50% a 0,75%. Era a decisão esperada pelos mercados financeiros.

Na última reunião do ano, a equipa presidida por Janet Yellen ao fim de dois dias de reunião decidiu por unanimidade o único aumento que realizou em 2016, depois da subida que decidira em dezembro do ano passado, retirando as taxas de referência de mínimos em que estavam desde 2008.

A Fed reafirma que o processo de subida das taxas de juro será gradual, mas as projeções dos seus membros apontam para três subidas em 2017, em vez de duas projetadas em setembro. O que pode ser interpretado como um ajustamento a um efeito de mudanças na política orçamental da próxima administração Trump. As projeções apontam, agora, para uma taxa de referência de 1,4% no final de 2017 (1,1% na projeção de setembro) e a aproximação a 3% em 2019 (em vez de 2,6% na projeção anterior).

Nas projeções económicas publicadas esta quarta-feira, a Fed reviu em alta o crescimento do PIB real dos Estados Unidos para 2016 (1,9% em vez de 1,8% nas projeções de setembro), 2017 (de 2% para 2,1%) e 2019 (de 1,8% para 1,9%). Mantém a projeção de uma desaceleração de 2018 para 2019.

Por outro lado, reviu em baixa a taxa de desemprego para 2016, 2017 e 2019. Deverá fechar em 4,7% em 2016 e descer para 4,5% nos três anos seguintes, níveis considerados de pleno emprego.

Quanto à inflação deverá subir gradualmente de 1,5% (mais duas décimas do que o previsto nas projeções de setembro) em 2016 para 1,9% no ano seguinte chegando aos 2% (meta da política monetária) em 2018.

Depois da comunicação da decisão de subida as yields das obrigações norte-americanas no mercado secundário aumentaram em todos os prazos. A 10 anos aproximam-se de 2,5%, depois de terem encerrado em 2,47% no dia anterior.

Em Wall Street, o índice Dow Jones 30, depois de um pico do dia em 19962,32 pontos pelas 19 horas (hora de Portugal, 14 horas em Washington quando foi conhecida a decisão), perto da marca mítica dos 20 mil pontos, corrigiu em baixa.

  • A presidente da Reserva Federal norte-americana afirmou não ser favorável ao “aquecimento” da economia e considerou que não é necessário atualmente estímulo orçamental para atingir uma situação de pleno emprego. Mas sublinhou que não pretende dar conselhos à futura Administração Trump. Disse que há uma “nuvem de incerteza”