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Fed contra “aquecimento” da economia norte-americana

A presidente da Reserva Federal norte-americana afirmou não ser favorável ao “aquecimento” da economia e considerou que não é necessário atualmente estímulo orçamental para atingir uma situação de pleno emprego. Mas sublinhou que não pretende dar conselhos à futura Administração Trump. Disse que há uma “nuvem de incerteza”

Jorge Nascimento Rodrigues

“Neste momento considero que a política orçamental não é necessária para fornecer estímulos para atingirmos o pleno emprego”, disse Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal norte-americana, na conferência de imprensa esta quarta-feira em Washington que se seguiu ao anuncio da decisão de subida das taxas de juro.

Tratou-se de uma resposta indireta à questão colocada se a Fed discutiu a política orçamental expansionista anunciada por Donald Trump.

Yellen referiu que o nível de recursos por utilizar na economia norte-americana tem diminuído e que a taxa de desemprego está abaixo de 5%. Estava em 4,6% em novembro. Recordou que foram criados 2,25 milhões de empregos, em termos líquidos, nos últimos 12 meses e 15 milhões desde a recessão.

Reafirmou não ser a favor de uma política de “aquecimento” da economia, recordando as lições de crises financeiras anteriores.

Sublinhou, no entanto, que não pretende “dar conselhos à futura Administração ou ao Congresso”.

Não deixou, contudo, de referir que a direção da Fed apreciou a situação e considerou que “estamos a agir sob uma nuvem de incerteza neste momento”.

Pronunciou-se contra a desregulação financeira anunciada por Trump e declarou que não comentava situações nas bolsas, se estão em situação de ‘bolha’ ou não. Disse, no entanto, que "as valorizações [atuais] permanecem em intervalos normais".

Aquando do encerramento da conferência de imprensa, os juros das obrigações a 10 anos tinham subido para 2,523%, cinco pontos base acima do fecho do dia anterior. A trajetória mantém-se ascendente.

Em Wall Street, o Dow Jones 30 desceu para 19822,18 pontos, um recuo de 0,4% em relação ao fecho do dia anterior, e adiando a ultrapassagem da marca mítica de 20.000 pontos. A trajetória é de descida, com as bolsas de Nova Iorque a fecharem daqui a hora e meia.

A próxima reunião realizar-se-á a 1 de fevereiro de 2017. Os mercados de futuros das taxas de juro, depois da decisão conhecida, apontam para uma probabilidade de 51,1% de subida dos juros da Fed para o intervalo entre 0,75% e 1% na reunião de 14 de junho e para uma probabilidade de 36% para um aumento na reunião de 20 de setembro para o intervalo entre 1% e 1,25%.

As projeções da Fed, hoje divulgadas, apontam para o limite máximo do intervalo em 1,4% no final de 2017, implicando três subidas, uma mais do que na projeção anterior, realizada antes da vitória de Trump.

Os analistas estão a interpretar esta decisão por uma "gradualismo mais acelerado", por uma "normalização" mais rápida das taxas de juro do banco central como uma posição da equipa de Yellen para contrabalançar a "trumpflation", o "aquecimento" que a política orçamental expansionista e de desregulação financeira da futura Administração Trump poderá causar no seu primeiro ano de mandato.

O euro trocava-se por 1,064 dólares pelas 18 horas (hora de Portugal) e caiu para 1,052 aquando da conclusão de conferência de imprensa. A trajetória é descendente.

  • O banco central norte-americano decidiu esta quarta-feira subir a taxa de juros de referência em 25 pontos base para o intervalo de referência entre 0,5% e 0,75%. A presidente da Reserva Federal dará uma conferência de imprensa dentro de meia hora em Washington DC