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Economia portuguesa só regressa ao nível de 2008 dentro de três anos

Previsões do Banco de Portugal apontam para recuperação lenta do crescimento até 2019. Só nessa altura, PIB estará de regresso ao nível pré-crise. Para este ano, a previsão foi revista em alta para 1,2%

A economia portuguesa só vai regressar ao nível anterior à crise financeira dentro de três anos. A estimativa é do Banco de Portugal (BdP) e faz parte do Boletim Económico divulgado esta quarta-feira que, pela primeira vez, faz previsões até 2019. As projeções do documento apontam para crescimentos de 1,2% este ano, de 1,4% em 2017 e de ritmos de 1,5% nos dois anos seguintes.

Já o desemprego deverá ficar em 11% este ano e descer gradualmente até 8,5% em 2019, enquanto a inflação aumentará até 1,5%. Nas contas externas, o BdP prevê excedentes de 1,1% do PIB este ano, 0,9% em 2017 e 2018, e novamente 1,1% em 2019. A manutenção de excedentes está associada, em larga medida, ao facto de serem as exportações a dar o maior contributo para o crescimento nestes anos.

“No horizonte de projeção 2016-2019 a economia portuguesa deverá manter a trajetória de recuperação moderada que tem caracterizado os anos mais recentes”, refere o BdP. E sublinha que “as exportações de bens e serviços deverão registar um crescimento superior ao da procura externa” e ser “a componente da procura global com maior contributo para o crescimento da atividade”.

Ao mesmo tempo, refere o comunicado do banco central, na procura interna “projeta-se uma recomposição caracterizada por uma moderação do consumo privado e uma recuperação da formação bruta de capital fixo”. Traços que “são consistentes com um padrão de crescimento mais sustentado” e acompanhados de “uma melhoria gradual da situação no mercado de trabalho”.

Mas o BdP deixa também alguns alertas sobre a necessidade de reformas estruturais face ao crescimento que não irá ultrapassar 1,5% nos próximos anos: “Atendendo à persistência de constrangimentos estruturais ao crescimento da economia, é crucial que o processo de reformas estruturais seja aprofundado no sentido de aumentar os incentivos à inovação, à mobilidade dos recursos produtivos e ao investimento em capital físico e humano”

Além disso, diz, é importante tomar medidas de “redução de vulnerabilidades específicas do setor bancário e financeiro” e um “esforço adicional de consolidação orçamental é crucial para garantir que o nível de endividamento público apresenta uma trajetória descendente sustentada e robusta a choques adversos”.