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Dow Jones chegará hoje à marca mítica quando a Fed anunciar subida dos juros?

Aquele índice de Wall Street esteve na terça-feira à beira dos 20.000 pontos. Os futuros apontam para uma abertura em queda esta quarta-feira. Resta ver o impacto da reunião do banco central norte-americano se Janet Yellen anunciar que os juros sobem

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal (Fed), o banco central norte-americano, deverá anunciar esta quarta-feira uma subida das taxas de juro de referência, a primeira e única do ano. Os futuros das taxas de juro apontam para uma probabilidade de 91% para uma subida de 25 pontos base (0,25%).

A decisão é comunicada pelas 14 horas de Washington DC (19 horas em Portugal), ao início da sessão da tarde em Wall Street, mas já com os mercados financeiros fechados na Europa. A presidente da Fed, a economista Janet Yellen, realizará, depois, uma conferência de imprensa. Esta reunião do banco central é a primeira após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

A Fed aumentou as taxas de juro em dezembro passado para o intervalo entre 0,25% e 0,5% e a equipa de Yellen previa, então, quatro aumentos em 2016. Recorde-se que as taxas mantiveram-se num mínimo histórico próximo de 0% por oito anos, desde dezembro de 2008.

Em junho de 2016, a Fed reduziu a perspetiva para uma previsão de duas subidas durante o ano. Na realidade, concretizará, apenas, uma, aumentando o intervalo das taxas para 0,5% a 0,75%.

A decisão do banco central poderá coincidir esta quarta-feira com um novo máximo histórico nos índices bolsistas de Nova Iorque, e, em particular, com a chegada do Dow Jones 30 à marca mítica de 20.000 pontos. Ontem, este índice fechou em 19.911,21 pontos, um novo máximo. Os futuros em Wall Street indicam, contudo, para uma abertura esta quarta-feira no vermelho.

Os analistas vão estar centrados nas projeções económicas que vão ser divulgadas pela Fed e nas projeções dos membros da equipa de Yellen que vão ser adiantadas para novas subidas das taxas em 2017, apesar da sobrestimação que se verificou anteriormente e da clara divergência com as probabilidades apontadas pelo mercado de futuros. Neste momento, apontam para uma probabilidade de 43,7% para uma subida das taxas para o intervalo 0,75% a 1% em junho do próximo ano.

Fora do baralho poderá surgir algum tweet do presidente-eleito sobre a decisão da Fed. Trump tem usado o twitter para fazer comentários sobre matérias económicas e financeiras que têm impacto imediato no mercado financeiro. No entanto, esta quarta-feira, o presidente eleito tem na agenda uma reunião importante com líderes da indústria tecnológica norte-americana e deve estar a digerir o conselho que lhe deu Bill Gates ao telefone para apostar na inovação como alavanca, como fez John Kennedy, para recolocar os EUA em primeiro plano.

O quadro de 2017 vai estar marcado pelo impulso orçamental expansionista prometido por Trump na campanha eleitoral e pela subida dos preços do barril de petróleo em virtude da perspetiva de uma mudança de um mercado do crude excedentário para deficitário ainda no primeiro semestre, segundo a Agência Internacional de Energia. A materializar-se, a viragem, favorável a um aumento continuado dos preços do petróleo ao longo do próximo ano, será consequência do acordo para um corte de produção a partir de janeiro entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros exportadores fora do cartel. Os dois movimentos impulsionam o processo de reflação (aumento da taxa de inflação) em curso.

O impacto nos juros da dívida obrigacionista norte-americana é outro dos aspetos a seguir depois do anúncio da decisão pela Fed. No prazo a 10 anos, as yields das US Treasuries subiram no mercado secundário mais de um ponto percentual desde o início de julho e mais de meio ponto percentual desde a eleição de Trump. Fecharam na terça-feira em 2,47%. Há que reter que 40% de toda a dívida obrigacionista norte-americana é detida pela Fed e por outros bancos centrais de todo o mundo.

A continuação do movimento altista nas yields das US Treasuries a 10 anos no sentido de ultrapassar a barreira dos 3% poderá ser prejudicial ao atuam movimento altista nas bolas e no imobiliário, avisou ontem Jeffrey Gundlach, diretor geral da DoubleLine Capital em declarações à Reuters.

Uma previsão para 2017 que não surpreenderá é que a política monetária norte-americana continuará em trajetória divergente com a do Banco Central Europeu e do Banco do Japão. No plano orçamental, em virtude da oposição da Alemanha à proposta da Comissão Europeia para um impulso em 2017, a divergência vai acentuar-se entre os dois lados do Atlântico Norte.