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Juros da dívida abrem em alta em toda a zona euro

As maiores subidas de juros, na abertura desta segunda-feira, registam-se para as obrigações espanholas e francesas. No caso das Obrigações do Tesouro português a 10 anos, as taxas aproximam-se de 4%. O movimento de subida abrandou entretanto, mas este mercado está volátil

Jorge Nascimento Rodrigues

Um novo movimento altista das yields das obrigações soberanas na zona euro marcou a abertura do mercado secundário esta segunda-feira, com exceção da Grécia.

No prazo de referência, a 10 anos, as maiores subidas registaram-se para as taxas das obrigações espanholas e francesas, que subiram 11 pontos base desde o fecho de sexta-feira passada. Para as obrigações irlandesas, italianas e belgas, as taxas subiram oito pontos base no mesmo período.

No caso das Obrigações do Tesouro português, naquele prazo, as yields subiram na abertura desta segunda-feira cinco pontos base para 3,92%, um novo máximo de 11 meses, depois do pico do ano, até à data, em fevereiro, quando galgaram os 4,1%.

Em relação aos mínimos históricos registados em setembro para as taxas das obrigações espanholas, irlandesas e italianas no prazo a 10 anos, em 0,33%, 0,88% e 1% respetivamente, as yields atuais estão em mais do triplo para a Irlanda, quase o dobro para Espanha e mais do dobro para Itália.

As taxas das obrigações alemãs no prazo de referência subiram esta segunda-feira na abertura para 0,41%, mais quatro pontos base do que no encerramento de sexta-feira. Em termos de variação relativa, é a mais elevada desta manhã: 16% (no caso português foi de 2%). Recorde-se que, a 8 de julho, fecharam em mínimos históricos de -0,189% (valor negativo).

Depois do disparo inicial, o movimento altista abrandou na zona euro, mas a situação continua volátil.

Preço do petróleo em alta e aviso de futuro próximo acidentado

O início da terceira semana de dezembro está a ser marcado pela subida de 5% no preço do barril de Brent, depois do acordo firmado em Moscovo no sábado entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e vários exportadores fora do cartel, como a Rússia, para um corte de produção que favoreça a subida dos preços. Trata-se do primeiro acordo entre OPEP e Rússia desde há 15 anos. Depois de ter fechado em 54,33 dólares na sexta-feira, o preço do Brent subiu esta segunda-feira para 56,94 dólares, pelas 8 horas (hora de Portugal).

Uma subida do preço do petróleo influencia o processo de reflação em curso na zona euro, ou seja, de aumento da taxa de inflação, em virtude de os preços da energia terem um impacto importante no índice de preços no consumidor.

O Banco Internacional de Pagamentos (BIS, na sigla em inglês) avisou no domingo que há o risco de volatilidade extrema nos mercados financeiros e de derrocadas relâmpago nas bolsas, que o ajustamento ao novo contexto (de vitória do Brexit, de eleição de Donald Trump nos EUA, de turbulência política na Europa, de incerteza no quadro geopolítico) vai ser “acidentado”. Claudio Borio, responsável pelo Departamento Monetário do BIS, alertou que as taxas da dívida soberana estão em níveis “anormalmente baixos do ponto de vista de uma perspetiva de longo prazo”. O BIS é considerado o banco dos bancos centrais.

A semana vai ser marcada pela reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed) na próxima terça e quarta-feira, culminando com uma conferência de imprensa da sua presidente Janet Yellen. Será a primeira reunião depois da eleição de Trump a 8 de novembro. A probabilidade de uma subida do intervalo das taxas de juro da Fed para 0,5% a 0,75% é de 95%, segundo os futuros dessas taxas.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam a semana em 3,86%. Desde o final de novembro, Portugal, Irlanda e Bélgica foram os países com níveis de endividamento elevado mais ‘castigados’ pela subida nos juros