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Volatilidade provocada pelo BCE castiga Portugal

Juros a 10 anos registam o maior disparo diário desde o ‘Brexit’. Mexidas nas regras do QE têm efeito assimétrico

O pacote expansionista anunciado por Mario Draghi teve um impacto imediato negativo no custo de financiamento da dívida portuguesa. Os juros no mercado secundário das obrigações a 2, a 5 e a 10 aos subiram na quinta-feira. O disparo foi de 21 pontos base (0,21 pontos percentuais) nos juros a 10 anos, a segunda maior subida diária desde o ‘Brexit’. As taxas fecharam no dia 8 em 3,73% a 10 anos e 2,17% a 5 anos (ver gráfico), invertendo a trajetória de descida iniciada a 1 de janeiro. O custo dos Credit Default Swaps (CDS) a 5 anos, contratos para segurar a dívida portuguesa contra uma bancarrota, teve uma das cinco maiores subidas do dia, juntamente com Nova Zelândia, Turquia, Colômbia e México.

O anúncio dos estímulos do Banco Central Europeu (BCE) provocou durante a tarde de quinta-feira “flutuações selvagens”, no dizer dos analistas financeiras. Essa volatilidade provocou efeitos assimétricos entre países e maturidades. A tendência global na zona euro foi para uma subida das taxas a 10 anos, mas nas maturidades de curto e médio prazo o impacto foi diferenciado. Portugal foi o mais castigado, pois registou disparo nos juros a 10 anos e não acompanhou a descida nas taxas nos prazos mais curtos ocorrida na maioria dos membros do euro. No entanto, mesmo entre os outros periféricos houve diferenças: os juros da Irlanda desceram a 2 e a 5 anos, mas os de Espanha e Itália só recuaram a 2 anos.

O euro valorizou face ao dólar durante a sessão de quinta-feira, chegando a trocar-se por 1,083 dólares, e fechando o câmbio do dia em 1,076. A apreciação face à moeda norte-americana foi de 0,3% no fecho do dia. Em relação ao conjunto de divisas dos principais parceiros da zona euro, a moeda única valorizou 0,2%. O euro está, agora, mais distanciado da paridade com o dólar; o mínimo do ano foi registado a 24 de novembro, com o euro a valer 1,05 dólares.
Numa semana de algumas descidas, o preço do barril do petróleo de Brent acabou por não reagir às medidas anunciadas pelo BCE, mantendo-se na casa dos 53 dólares. A grande novidade pode vir de Moscovo, onde hoje se reúnem os países membros da OPEP-Organização dos Países Exportadores de Petróleo, com os que estão fora do cartel. O objetivo é conseguir que estes últimos se comprometam também a executar cortes nas respetivas produções diárias a partir de 1 de janeiro de 2017.

O que vários analistas internacionais questionam é o real alcance deste acordo e se, na verdade, ele acabará por ser cumprido por todos os intervenientes. O impacto do preço do petróleo na inflação da zona euro tem sido decisivo e Draghi tem estado ‘prisioneiro’ das suas flutuações. A queda do preço alimentou a deflação em 2015, e a subida tem sustentado a reflação em curso. O regresso da volatilidade nos seus preços em 2017 poderá ser mais um fator de incerteza a atrapalhar o BCE.