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Travagem brusca no alojamento local

Luís Barra

Excesso de concorrência no alojamento local já está a afetar preços e taxas de ocupação. Novos investimentos estão a abrandar depois do disparo em 2015

A aposta no alojamento local está a começar a “arrefecer”. O número de unidades registadas em Portugal continua a aumentar mas a um ritmo bastante inferior ao que se verificou em 2015, o ano do boom neste mercado. Segundo contas do Expresso a partir dos dados do Registo Nacional de Estabelecimentos de Alojamento Local do Turismo de Portugal, os novos registos em 2016 ainda ultrapassam o total do ano passado mas por uma pequena margem: 12.038 até ao dia 8 de dezembro contra 11.063 nos doze meses de 2015. É um crescimento de 8% que fica bastante aquém dos cerca de 200% do ano passado. Quando se olha para a evolução dos registos em termos de número de camas novas, a travagem é ainda maior: 3% contra 230%.

A redução brusca de novos investimentos de alojamento local — em alguns meses a variação face a 2015 até é negativa — acontece numa altura em que estão em vias de entrar em vigor novas regras fiscais para o sector com o Orçamento do Estado (OE) para 2017 e em que têm surgido dúvidas legais sobre a forma como os condomínios podem lidar com este tipo de atividade. O Alojamento Local (AL) foi um dos fatores de dinamização do mercado imobiliário desde 2014 com um impacto de 30,5% no preço das casas e de 13,2% nas rendas, de acordo com um estudo da Universidade Nova de Lisboa divulgado na semana passada.

Os números dos registos não abarcam a totalidade de casas disponibilizadas para este efeito e que são oferecidas através de plataformas como o Airbnb. Lisboa lidera este fenómeno, em particular algumas zonas mais turísticas da capital, mas também tem sido afetada pela travagem. Apesar de continuar a crescer a ritmos elevados — 36% no número de registos, 15% no número de camas e 17% nos quartos — está longe da velocidade vertiginosa conseguida em 2015 quando o total mais do que triplicou.

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