Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Já passaram 30 dias. E agora?

Marcos Borga

Entre aplausos e críticas, a Web Summit já deu alguns frutos e há contactos em curso. Empresas internacionais de olho nas startups portuguesas

“Estamos em conversações para criar parcerias com grandes empresas do mundo digital que se mostraram interessadas em abrir centros de inovação em Portugal”, revela Pedro Rocha Vieira, presidente da Beta-i. Estas oportunidades foram desencadeadas durante a Web Summit, que se realizou no início de novembro em Lisboa. Ainda é prematuro falar em nomes, mas o líder da associação de promoção do empreendedorismo diz que “estes investimentos de grande valor acrescentado são de empresas relevantes que há poucos anos dificilmente olhariam para Portugal como local para investir”.

De resto, o líder da Beta-i esteve esta semana em Paris a dar sequência a contactos efetuados durante a Web Summit, nomeadamente com representantes de uma empresa asiática que quer investir na Europa. “Portugal está na shortlist com a Polónia”, revela Pedro Rocha Vieira, adiantando que também há mais algumas pequenas startups estrangeiras que estão a pensar instalar-se em Lisboa.

Vozes descontentes

A par da onda positiva, há também vozes dissonantes de alguns participantes, sobretudo daqueles que não retiraram do megaevento o valor que estavam à espera. Nas redes sociais circularam comentários negativos, queixas sobre a organização, a superficialidade das intervenções dos oradores (15 a 20 minutos) ou o congestionamento dos transportes de Lisboa. E até há apelos a Paddy Cosgrave para que o evento regresse a Dublin. A revista americana “The Atlantic” fez uma reportagem com uma tónica negativa, referindo que as pessoas que encontrou na Web Summit “não pareciam totalmente felizes”. Um fundador de uma startup portuguesa, que preferiu não ser identificado, disse ao Expresso que “os preços dos ingressos eram demasiado caros para os resultados obtidos”.

Mas a esmagadora maioria dos empreendedores contactados faz um balanço positivo (ver resultados em baixo). “Quem não se preparou convenientemente ou não teve acesso às pessoas influentes pode sentir-se frustrado”, admite Pedro Rocha Vieira.

Para melhor usufruir de um megaevento como a Web Summit, que juntou 50 mil participantes em Lisboa durante quatro dias, “é crítico ir preparado”, defende Francisco Ferreira Pinto, administrador-executivo da sociedade de investimento Busy Angels. “Quem vai sem preparação e planeamento, ou tem sorte ou sai de lá com pouco sumo. É preciso fazer o trabalho prévio, saber quem vai estar, contactar antes, estar presente de forma dinâmica e ter foco — escolher ao que vai”, diz o investidor.

José Paiva, presidente da Landing Jobs, empresa de recrutamento na área das tecnologias, afina pelo mesmo diapasão: “Para falar com as pessoas certas e alcançar bons resultados, é preciso marcar as reuniões com pelo menos três semanas de antecedência. Uma semana antes já é tarde.” E refere que a Landing Jobs aproveitou a Web Summit para negociar com investidores ingleses, falar com clientes e identificar novos parceiros alemães e holandeses.

A tecnológica e.Near, por exemplo, que já fechou contratos com novos clientes no decorrer do certame — que lhe vão render um volume de negócios superior a €1 milhão em 2017 —, esteve mais de cinco semanas a preparar a sua participação na Web Summit. “Conseguimos ter muitas reuniões agendadas e explicar o nosso posicionamento e diferenciação a muitas pessoas”, declara Nuno Melo, CEO da empresa. “Além de estarmos na área de exposição dedicada às startups, optámos também por ter vários colaboradores a circular pela Web Summit e a conversar com potenciais clientes”, acrescenta.

A realização da Web Summit reforçou ainda a posição de Lisboa como hub de empreendedorismo, depois de a capital portuguesa já ter dado nas vistas num inquérito da União Europeia (Start Heat Europe), em que foi considerada a cidade que mais progrediu (da 22ª para a 5ª posição do ranking).

José Basílio Simões, investidor que coordena o Centro Business Angels na região Centro do país, faz um balanço “muito positivo” da Web Summit, já que “possibilitou a consolidação do empreendedorismo em Portugal”. “Mesmo que não se fechem negócios no evento, fazem-se contactos e coloca-se Portugal no mapa”, adianta.

Para Francisco Ferreira Pinto, o principal ganho que a Web Summit trouxe foi o de promover o ecossistema. “Estamos agora mais presentes no contactos com clientes e investidores internacionais. A Web Summit reforçou a ligação com o mundo das grandes empresas internacionais. Estiveram muito presentes no evento, o que mostra que estão a olhar cada vez mais para a inovação”, acredita o investidor.