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Draghi carrega no acelerador. Será a última vez?

Francois Lenoir

BCE estende compra de ativos até dezembro do próximo ano e facilita a colocação de €16 mil milhões de obrigações portuguesas

A reação mista nos mercados ilustra bem a dificuldade em interpretar o anúncio de quinta-feira do Banco Central Europeu (BCE). Mario Draghi anunciou um reforço da compra de ativos, mas não exatamente como todos esperavam. Em vez de uma ‘simples’ extensão do programa por mais seis meses, até setembro de 2017, prolongou-o até dezembro, mas com uma diminuição do volume de compras mensais. Em vez dos atuais €80 mil milhões, o ritmo baixará para €60 mil milhões a partir de abril do próximo ano. Na verdade, é uma dose maior do que a versão mais esperada, mas não deixou, ainda assim, de ser vista por alguns como uma retirada do pé do acelerador.

Esta nova versão dos estímulos monetários, numa altura em que a inflação continua bastante longe da meta de 2% e há expectativas de que assim se mantenha durante os próximos anos, é já a terceira desde que o QE (de Quantitative Easing, no acrónimo em inglês) arrancou em março de 2015. A primeira foi logo no final do ano passado, quando o programa foi estendido do prazo original de setembro de 2016 para março de 2017. A segunda aconteceu já este ano, em fevereiro, quando o volume de compras mensais subiu de €60 mil milhões para €80 mil milhões. Na versão original, o QE apontava para um total de €1,1 biliões. Cresceu depois para, respetivamente, €1,4 biliões e €1,7 biliões. Agora, chegará a um total na ordem dos €2,2 biliões, mais €540 mil milhões.

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