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Juros da dívida em máximo de 11 meses

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam a semana em 3,86%. Desde o final de novembro, Portugal, Irlanda e Bélgica foram os países com níveis de endividamento elevado mais ‘castigados’ pela subida nos juros

Jorge Nascimento Rodrigues

As taxas da dívida obrigacionista no prazo a 10 anos têm estado em alta no mercado secundário desde o final de novembro para a maioria dos membros da zona euro. Mas Portugal, Irlanda e Bélgica foram as economias do euro, com níveis de endividamento elevado, que registaram maiores subidas desde 30 de novembro naquele prazo de referência.

O anúncio esta semana do pacote de estímulos monetários do Banco Central Europeu (BCE) provocou um impacto assimétrico, e casos como Portugal e a Irlanda viram as taxas de longo prazo agravarem-se, apesar do programa de aquisições ter sido prolongado até final de 2017 e os títulos com maturidade a 12 meses passarem a ser elegíveis.

As taxas das próprias obrigações alemãs a 10 anos, que são a âncora da zona euro, aumentaram 10 pontos base, de 0,27% para 0,37%, entre o final de novembro e esta sexta-feira.

Portugal surge como o país mais ‘castigado’ desde o final de novembro. As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), naquele prazo de referência, fecharam esta sexta-feira em 3,86%, um novo máximo dos últimos 11 meses. O pico do ano, até à data, foi registado em 11 de fevereiro, quando as taxas ultrapassaram a barreira de 4%, pressionadas pelo risco de Grexit e a reação internacional negativa a uma decisão do Banco de Portugal.

A subida das taxas das OT a 10 anos entre o final de novembro e 9 de dezembro é de 14 pontos base, mais do que os 11 pontos base de aumento registado para as yields das obrigações irlandesas, sete pontos base para as belgas e cinco pontos base para as italianas e francesas.

Risco de falta de títulos para aquisição pelo BCE

A especulação sobre o risco de falta de títulos irlandeses e portugueses elegíveis para compra pelo BCE acelerou a subida que já se vinha a manifestar.

O movimento foi desencadeado quando uma porta-voz do Banco Central Irlandês declarou na quinta-feira em Dublin que a entidade passaria a “gerir cuidadosamente a implementação do programa de compras, de modo a que o impacto dos parâmetros do programa ou de alterações neles seja o mais suave possível”. Fontes disseram ao “The Irish Times” que o montante adquirido mensalmente poderia cair 50%, para cerca de 400 milhões de euros por mês.

Como as regras relativas aos limites de 33% por linha obrigacionista e quanto ao total de dívida que pode ser adquirida não foram mexidas, a especulação disparou sobre o risco de falta de obrigações elegíveis nos casos da Irlanda e Portugal.

Analistas da Société Générale avisaram que, ao ritmo mensal atual de compras de títulos pelo BCE, o universo elegível esgota-se em março para Irlanda e Portugal. Outros analistas admitem que a integração da compra de títulos a 12 meses poderá dar mais algum tempo aos dois países, mas nunca até dezembro de 2017.

O Banco de Portugal viu-se obrigado esta sexta-feira a esclarecer, em declarações à Reuters, que “a decisão de ontem [8 de dezembro] do conselho de governadores [do BCE] não altera a forma de atuação do Banco de Portugal relativamente à implementação do programa de compra de dívida”. E acrescentou: "Tal como anteriormente, o Banco de Portugal irá atuar de forma a garantir que as compras de dívida pública portuguesa irão ocorrer até ao final da data prevista para o programa, cumprindo os parâmetros vigentes". Desde março de 2015, início do programa, o BCE adquiriu no mercado secundário uma média de 1,02 mil milhões de euros em OT, com exceção de três meses, agosto de 2015 e julho e agosto de 2016, em que adquiriu abaixo de mil milhões de euros.

Em contraste com as subidas referidas, as taxas relativas às obrigações espanholas a 10 anos desceram desde final de novembro, de 1,57% para 1,54%.

Descida nas taxas a 2 anos

Contrariamente ao movimento altista na maturidade a 10 anos, as yields das obrigações a 2 anos desceram para a maioria das economias do euro desde o final de novembro. As exceções foram um disparo de 127 pontos base (quase 1,3 pontos percentuais) para as taxas das obrigações gregas (que subiram de 5,1% para 6,3%) e uma subida na taxa negativa para as obrigações belgas.

No conjunto dos periféricos, as maiores descidas nesta maturidade registaram-se para as taxas das obrigações italianas e portuguesas. Para as OT a 2 anos, as yields caíram de 0,365% a 30 de novembro para 0,262% esta sexta-feira. As taxas para as obrigações alemãs a 2 anos desceram ainda mais em terreno negativo, de -0,728% para -0,759% naquele período.

O clube dos juros negativos inclui 10 membros do euro e em sete casos – Alemanha, Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Holanda e Irlanda – que registam taxas inferiores a -0,4% vão poder beneficiar da alteração da regra inicial que as tornava inelegíveis. “Em caso de necessidade”, o BCE poderá não aplicar esse limite. Taxas negativas significam que os investidores aceitam “pagar” para as deter, dando um bónus aos estados emissores de dívida. Aqueles sete países do euro registam yields abaixo de -0,4% em prazos até 3 ou 4 ou 5 anos.

  • Portugal foi esta quinta feira o periférico mais penalizado. Os juros das Obrigações do Tesouro subiram a 2, a 5 e a 10 anos no mercado secundário. Na Irlanda desceram a 2 e a 5 anos e em Espanha e Itália desceram a 5 anos. Impacto foi assimétrico na zona euro

  • Mais uma sessão de subidas no mercado secundário dos juros da dívida pública a 10 anos em vários membros do euro. As taxas para a Grécia, Irlanda e Portugal registam esta sexta-feira de manhã os maiores aumentos. Juros da Alemanha e Espanha descem