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Juros da dívida acima de 3,8%

Mais uma sessão de subidas no mercado secundário dos juros da dívida pública a 10 anos em vários membros do euro. As taxas para a Grécia, Irlanda e Portugal registam esta sexta-feira de manhã os maiores aumentos. Juros da Alemanha e Espanha descem

Jorge Nascimento Rodrigues

O efeito altista das decisões do Banco Central Europeu (BCE) nas taxas das obrigações soberanas de muitos membros da zona euro continuou a registar-se esta sexta-feira de manhã sobretudo no prazo a 10 anos.

Nesta maturidade de referência, as yields das Obrigações do Tesouro português subiram sete pontos base, ultrapassando os 3,8% ao final da manhã, pelas 12h (hora de Portugal). Recorde-se que, na quinta-feira, dia do anúncio do novo pacote de estímulos do BCE, aquelas taxas sofreram um disparo de 21 pontos base, o maior desde o Brexit, e a subida mais elevada entre os periféricos na sessão. O máximo dos últimos 10 meses registou-se a 18 de novembro, quando as taxas fecharam em 3,85%, no quadro da vaga do efeito Trump.

A maior subida esta manhã registou-se para as taxas das obrigações gregas a 10 anos, que aumentaram 11 pontos base. O terceiro maior aumento verificou-se com as yields das obrigações irlandesas, que subiram seis pontos base. No caso das obrigações belgas, o aumento foi de quatro pontos base. As italianas estão ligeiramente acima do registado ontem e as francesas subiram três pontos base.

Nos mercados financeiros especula-se com a possibilidade de escassez de títulos elegíveis por parte da Irlanda e Portugal para o programa de compra de obrigações no mercado secundário pelo BCE, em virtude de alguns parâmetros do programa não terem sido alterados, ao contrário do que muitos analistas esperavam. Os limites de 33% por linha obrigacionista e no total da dívida de cada país não foram mexidos. Muitos analistas esperavam que fossem subidos para 50%. Mas Mario Draghi, na conferência de imprensa de quinta-feira, alegou que havia "constrangimentos legais e institucionais" que o impediram. A Grécia continua fora desse programa.

Em contraste, as taxas desceram três pontos base para as obrigações espanholas e um ponto base para as alemãs.

Mario Draghi, o presidente do BCE, prometeu mais 540 mil milhões de euros em injeção de estímulos monetários até final de 2017, prolongando o programa de compra de ativos em mais nove meses para além de março próximo. Alterou as regras de elegibilidade para as aquisições de modo a ampliar o universo de compras possíveis. Afirmou que "estamos a tornar claro que o BCE manterá pressão [sobre os mercados]", que face à incerteza, os banqueiros centrais do euro vão manter o impulso monetário.

Mas os investidores estão a reagir com alguma volatilidade ao pacote.

A expetativa de inflação subiu com a previsão de que chegará a 1,7% em 2019, segundo os técnicos do BCE. No entanto, isso significa que continuará abaixo da meta de 2%, depois de um programa de compra de ativos desde março de 2015 até, pelo menos, dezembro de 2017, e de anos seguidos de taxas de juro de referência em zero por cento ou próximo.

O risco político subiu, com um calendário eleitoral na zona euro muito "quente" em 2017, como Draghi recordou. Juntamente com o regresso da turbulência no sector bancário da zona euro (e mesmo no Reino Unido e na Suíça) enfrentando problemas estruturais de modelo de negócio e necessidade de resolver o crédito malparado, as negociações do Brexit e as políticas da nova Administração Trump, a incerteza para os investidores é enorme.

  • Portugal foi esta quinta feira o periférico mais penalizado. Os juros das Obrigações do Tesouro subiram a 2, a 5 e a 10 anos no mercado secundário. Na Irlanda desceram a 2 e a 5 anos e em Espanha e Itália desceram a 5 anos. Impacto foi assimétrico na zona euro