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BCE rejeita adiamento de recapitalização do banco mais velho do mundo

A equipa de Mario Draghi não aceitou o pedido do banco italiano Monte dei Paschi di Siena para fechar a operação a 20 de janeiro, aguardando por novo governo. Ações afundam-se em bolsa. Milão fecha no vermelho. Analistas apontam para resolução este fim de semana. Banco diz desconhecer

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) não aceitou esta sexta-feira o pedido de adiamento até 20 de janeiro para o fecho do plano de recapitalização do Monte dei Paschi di Siena (MPS), o banco mais velho do mundo, e terceiro no sector financeiro italiano em ativos.

A Reuters adianta que, com o não da equipa de Mario Draghi, o MPS terá de pedir ajuda pública ao Estado italiano e sujeitar-se às condições de recuperação e resolução em vigor. Segundo a Bloomberg, o governo italiano em gestão já estaria a ultimar a operação de intervenção. Alguns analistas apontam para uma solução ainda este fim de semana com as bolsas fechadas.

Entretanto, numa declaração esta noite, depois de uma reunião de emergência do conselho de administração, o MPS negou que tenha recebido qualquer comunicação do BCE. Uma nova reunião da administração realizar-se-á no domingo.

Afundamento na bolsa de Milão

O conselho de administração do banco toscano, criado em 1472, solicitara esta semana ao BCE um adiamento para fechar a operação de aumento do capital em 5000 milhões de euros em virtude da crise política em Itália depois da vitória do ‘não’ no referendo de domingo passado e do pedido de demissão do primeiro-ministro Matteo Renzi. O banco alegava necessidade de mais tempo para conseguir que investidores privados participassem no aumento de capital.

O limite até final do ano para a conclusão do plano de recapitalização deriva de uma imposição do BCE no sentido do MPS reduzir o crédito malparado, em termos líquidos, de 23,5 mil milhões de euros para 14,6 mil milhões de euros, com uma meta intermédia, em 2016, de fazer descer aquele montante para 21,8 mil milhões de euros.

Os títulos do MPS afundaram-se esta sexta-feira na bolsa de Milão, com uma queda de 10,55%. Nos últimos trinta dias, as perdas somam 24,4%. Para o conjunto do ano, até à data, a queda em bolsa é de 84%. A queda contagiou hoje outras entidades bancárias transalpinas e o índice MIB da bolsa fechou no vermelho, com um recuo de 0,73%, apesar de registar um ganho semanal de 7,1%, liderando os índices europeus.

O MPS foi o único banco que não passou em julho nos testes de esforço realizados a 51 entidades financeiras pela Autoridade Bancária Europeia.

Esta situação de emergência, em plena crise política, poderá prejudicar seriamente a operação do maior banco italiano, o UniCredit, que, na próxima terça-feira, vai ao mercado tentar um aumento de capital de 13 mil milhões de euros.

Dois cenários para a resolução

Os analistas apontam para dois cenários. O primeiro envolveria a compra pelo Estado italiano das linhas de obrigações subordinadas na mão de 40 mil investidores privados convertendo-as em ações públicas, implicando uma injeção de 2000 milhões de euros, e passando a ter um controlo de 40% do capital do MPS. Esta operação, que poderia ser tipificada como de recapitalização de precaução, pretenderia usar temporariamente dinheiro público para proteger este tipo de investidores que detendo dívida subordinada, em caso de falência do banco, apenas seriam reembolsados após os demais credores. Num quadro político de forte ascenso do populismo em Itália, o 'castigo' de 40 mil pequenos investidores seria um terramoto.

O segundo cenário passaria pelo governo italiano pedir um resgate parcial ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para uma intervenção no conjunto da banca italiana, e não só no MPS, com a imprensa transalpina a falar de um pacote financeiro global de 15 mil milhões de euros. Um resgate parcial similar ao espanhol em 2012. O Tesouro italiano e o MEE desmentiram que essa negociação estivesse em curso.

A solução do problema do MPS está obrigada a respeitar as regras de recapitalização interna em vigor desde início do ano estipuladas pela Diretiva de Recuperação e Resolução Bancária aplicada a toda a União Europeia. As regras de recapitalização interna obrigam a perdas por parte dos acionistas e credores do banco.

Atualizado às 23h38