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Ligeira subida nos juros à espera do BCE

Em pouco mais de meia hora, Draghi vai revelar as decisões da mais importante reunião deste ano dos banqueiros centrais do euro. Ou desaponta ficando aquém do que os analistas vaticinam, ou dá mais um balão de oxigénio à dívida da zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields da dívida obrigacionista da zona euro no mercado secundário sofreram uma ligeira subida durante esta manhã de quinta-feira, em função de alguma ansiedade que se regista nos meios de investimento face às decisões que o Banco Central Europeu (BCE) vai anunciar pelas 12h45 (hora de Portugal).

As taxas para as Obrigações do Tesouro português, no prazo de referência, a 10 anos, subiram esta quinta-feira ligeiramente para 3,53% pelas 12 horas, depois de já terem estado em 3,57%. No caso Itália subiram cinco pontos base em relação ao fecho do dia anterior, registando, agora, 1,95%, tendo já subido durante a manhã para 1,97%. Para as obrigações espanholas, a taxa subiu três pontos base, situando-se, agora, em 1,48%, e já subiram até 1,49%

As yields para as Bunds, as obrigações alemãs a 10 anos que servem de referência na zona euro, subiram para 0,37%, dois pontos base acima do fecho de ontem. As taxas para as obrigações gregas foram as que mais subiram, com um aumento de 10 pontos base, situando-se em 6,7%.

Guia para “ler” decisões do BCE

Face à crescente incerteza política na zona euro – com uma sucessão de eleições críticas em economias-chave, como Itália, Holanda e França no primeiro semestre de 2017 – e à perspetiva de uma divergência crescente entre a política orçamental dos Estados Unidos e da Zona Euro, a maioria dos analistas prevê que a equipa de Mario Draghi anuncie hoje o prolongamento do programa de compra de ativos por mais seis meses, até setembro do próximo ano, e a manutenção do ritmo mensal de compras em 80 mil milhões de euros.

No entanto, regista-se ansiedade entre os investidores, temendo que o BCE possa desapontar, ficando aquém do esperado, provocando um choque no mercado da dívida. Em virtude do risco de uma escassez de títulos obrigacionistas elegíveis para o programa de compras por parte de alguns membros do euro – como Alemanha, Finlândia e Portugal – a curto prazo, os analistas estarão atentos a ver se a equipa de Draghi decide alterar as regras de limitação de compras por emissão (subindo o teto de 33% para 50%, por exemplo) ou de não elegibilidade a partir de taxas inferiores a -0,4% (o caso de sete membros do euro com yields abaixo desse patamar até 2, 3 e 4 anos).

Como o risco de um processo de descontinuação do programa de compras até final do próximo ano tem sido referido regularmente, os analistas vão analisar à lupa as novas previsões económicas até 2019 que vão ser apresentadas pela equipa técnica, em particular sobre inflação. Anteriormente, os técnicos apontaram para 1,2% em 2017 e 1,6% em 2018. Os analistas acham que uma previsão de 1,9% para 2019 poderá dar um sinal de que o programa de quantitative easing terá de ser, oportunamente, descontinuado.

O programa tem sido crítico para a gestão do endividamento pelos membros do euro com situações de sobreendividamento. O economista alemão Hans-Werner Sinn escreve hoje no jornal Handelsblatt que o programa tem sido um “negócio esplêndido para os países GIPS (acrónimo para Grécia, Itália, Portugal e Espanha)” e que, na realidade, o que tem acontecido é um “resgate por detrás do pano”.