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Juros da dívida. Portugal lidera descidas no início de dezembro

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos desceram esta quarta-feira para 3,52%. Em relação ao final de novembro, é a maior descida entre os periféricos do euro. Mas, ainda, não desceram para os níveis anteriores à vitória de Trump

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields da dívida obrigacionista dos membros da zona euro continuaram esta quarta-feira em queda no mercado secundário.

O choque político da derrota do primeiro-ministro Matteo Renzi no referendo de domingo passado em Itália não se traduziu negativamente no mercado da dívida soberana, apesar da probabilidade de eleições legislativas antecipadas em Itália no próximo primeiro trimestre de 2017 e de serem incertos os resultados dessa ida às urnas.

Portugal liderou hoje as descidas entre os periféricos do euro, com as yields das Obrigações do Tesouro (OT), no prazo de referência, a 10 anos, a caírem para 3,52%, depois de terem fechado na sessão anterior em 3,65%.

Em relação ao final de novembro, naquele prazo de referência, a queda das taxas para Portugal é de 20 pontos base, a descida mais significativa entre os periféricos, face a um recuo de 11 pontos base nas obrigações espanholas, nove pontos base para as italianas, e três para as irlandesas. As yields das obrigações gregas subiram ligeiramente naquele período.

Como as taxas relativas às obrigações alemãs, a 10 anos, subiram naquele período, o prémio de risco dos periféricos do euro desceu. O prémio de risco representa o diferencial em relação ao custo de financiamento da dívida alemã (na maturidade a 10 anos) que serve de referência na zona euro. A taxa das obrigações alemãs, naquela maturidade, fechou hoje em 0,35%.

O prémio de risco da dívida portuguesa caiu 28 pontos base em relação ao valor no final de novembro. Desceu esta quarta-feira para 317 pontos base. Foi, também, a maior redução entre os periféricos do euro, face a uma queda de 19 pontos base para Espanha, 16 pontos para Itália, 10 pontos para Irlanda e seis para a Grécia.

Apesar de ter encurtado a distância em relação a Espanha, Irlanda e Itália, o prémio de risco português continua num patamar elevado: 317 pontos base face a 50 para Irlanda, 111 para Espanha e 155 para Itália. Um prémio de 317 pontos significa que o Estado português tem de pagar 3,17 pontos percentuais mais do que o Estado alemão para se financiar a 10 anos.

Portugal e França recuperaram menos do choque Trump

Apesar da trajetória de descida, as taxas das OT no mercado secundário ainda não desceram para os níveis registados antes de conhecida a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas de 8 de novembro, e cujos resultados foram conhecidos na madrugada do dia seguinte na Europa.

As yields nas OT a 10 anos estão ainda 30 pontos base acima do valor de fecho no dia 8 de novembro, quando, ainda, decorria o ato eleitoral nos EUA. A França aproxima-se, com as yields 28 pontos base acima do valor então registado. Para os restantes membros do euro, o diferencial é muito menor. No caso da Grécia, que está sob resgate, as yields das obrigações estão 74 pontos base abaixo do registado no dia 8 do mês passado.

O maior impacto do efeito Trump foi, no entanto, no custo da própria dívida obrigacionista norte-americana. As yields das US Treasuries a 10 anos continuam 49 pontos base – quase meio ponto percentual – acima do valor registado a 8 de novembro.

A vitória de Trump, ao fazer disparar as expetativas de inflação, provocou um choque altista global nas yields das dívidas soberanas e a percepção de que a era do custo de financiamento barato do endividamento dos Estados tinha chegado ao fim.

À espera do BCE

A atenção vira-se, agora, para as decisões que o Banco Central Europeu poderá tomar na quinta-feira, depois do balanço que está a realizar ao programa de compra de ativos, e, em particular, ao plano de compra de dívida pública no mercado secundário, em curso desde março de 2015. Se a equipa de Mario Draghi optar por prolongar a política monetária "acomodatícia" (até setembro de 2017 e alterando regras que facilitem a elegibilidade dos títulos), restará ver até que ponto essa decisão anulará o choque altista provocado pela vitória de Trump.

Como ponto de referência, as yields das obrigações alemãs a 10 anos subiram de 0,19% a 8 de novembro para 0,35% no fecho de hoje.

  • Na véspera da reunião do BCE, os juros dos periféricos do euro prosseguem a trajetória de descida. A exceção é a Grécia. A maior descida no prémio de risco em relação ao final de novembro regista-se para Portugal