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Aeroportos: Groundforce e Portway decidem dia 26 se há greve no fim do ano

André Kosters / Lusa

Reunidos em plenário, em Lisboa, esta manhã, decidiram agendar novo encontro para dia 26 onde será decido se avançam, ou não, para uma greve no final do ano

Os trabalhadores de 'handling' (assistência em terra) da Groundforce e da Portway decidiram esta segunda-feira agendar um novo plenário para o dia 26 onde irão decidir a marcação de uma greve entre 28 e 30 de dezembro, anunciou o sindicato do setor (Sitava).

A decisão foi aprovada esta manhã, num plenário realizado em Lisboa durante uma concentração de trabalhadores em frente às instalações da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), que o Sindicato dos Trabalhadores de Aviação e Aeroportos (Sitava) acusa de condicionar a atividade de assistência nos aeroportos.

O sindicalista Fernando Henriques, em declarações à Lusa, adiantou que os Assistentes de Portos e Aeroportos (APA) poderão também aderir a esta greve, estando marcado para a próxima quarta-feira um plenário do sindicato com estes trabalhadores.

"Simbolicamente estamos aqui hoje [segunda-feira] porque o presidente da ANAC, Luís Ribeiro, e a própria ANAC são o grande obstáculo a que o setor estabilize e os trabalhadores possam enfrentar o futuro com alguma segurança", disse o dirigente sindical em declarações à Lusa, durante o protesto que contou com algumas dezenas de trabalhadores.

O sindicato acusa a ANAC de ter "licenciado ilegalmente" a Ryanair e a Groundlink na prestação de serviços de assistência em terra nos aeroportos, o que esteve na origem do despedimento coletivo na Portway.

"Não sabemos se daqui a seis meses vamos ter empresa para trabalhar e o grande responsável é Luís Ribeiro e, por isso, propomos aos trabalhadores três dias de greve", adiantou Fernando Henriques.

Na moção aprovada esta segunda-feira, a que a Lusa teve acesso, os trabalhadores de assistência nos aeroportos "exigem" que as entidades responsáveis "intervenham, estabilizando o setor do 'handling'" e, caso a intervenção não se "verifique no imediato", avançam para a marcação da greve.

"Marcámos hoje [segunda-feira] um plenário geral de trabalhadores para 26 de dezembro, com vista a ratificar estas formas de luta", precisou o dirigente sindical.

Enquanto o protesto decorria, em frente à ANAC, entre as 11h e as 14h, a autoridade divulgou na sua página de internet um comunicado considerando a manifestação como "inoportuna" e acusando o Sitava de "contribuir decisivamente para a suspensão do diálogo" e prejudicar "indubitavelmente o desenrolar" das atividades do grupo de trabalho para o 'handling' que foi criado pelo Governo.

"A ANAC entende que esta forma de atuar e este tipo de manifestação por parte do Sitava visa desviar a atenção das suas próprias responsabilidades no impasse criado no seio do grupo de trabalho, prejudicando o funcionamento do mesmo, a participação dos restantes sindicatos e representantes dos diversos 'players' [intervenientes] no mercado de assistência em escala e a própria imagem do regulador", lê-se no comunicado.

O Sitava reagiu ao comunicado, ainda no local do protesto: "Inoportunas têm sido várias posições da ANAC ao longo do tempo", afirmou Fernando Henriques, exemplificando com o concurso para atribuição de licenças de' handling' que decorre há três anos sem qualquer decisão ou com o salário de 16 mil euros mensais do presidente da ANAC que promove a contratação de trabalhadores precários no 'handling' com salários de 500 ou 600 euros por mês.