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Novo Banco: Marques Mendes diz que chineses estão à frente na corrida

O ex-líder do PSD disse este domingo, no seu habitual comentário na SIC, que BCP e BPI não têm boas propostas e que as dos fundos não são suficientemente competitivas para vencer

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ex-líder social democrata e comentador da SIC, Luís Marques Mendes, diz que os investidores chineses que estão na corrida à compra do Novo Banco, o grupo Misheng, são os que estão mais bem posicionados para ganhar.

"Ao que sei, neste momento estão a decorrer as negociações com os vários candidatos e que as questões se colocam nestes termos. Primeiro, BPI e BCP são dois concorrentes que estão fora da corrida. Em termos práticos as suas propostas não vão contar para a decisão final. Segundo, estão os fundos, que ao que sei não terão propostas suficientemente competitivas para vencer. Portanto, ao que parece, a proposta dos chineses, que é diferente das outras, é financeiramente a mais forte e a mais competitiva", disse no seu habitual comentário de domingo à noite, na SIC.

Marques Mendes acrescentou,contudo, que é preciso esperar para ver se estes dados se confirmam ou não e que "em principio, tudo aponta que até ao final do ano" seja uma tomada uma decisão relativamente a este processo que o comentador diz que pode ser de não vender, de vender e se se vender, a quem.

Os canditados ao Novo Banco entregaram as suas propostas finais no Banco de Portugal a 4 de novembro e na corrida estão o BCP e o BPI, os fundos Apollo e Centerbridge, que estão juntos, o fundo Lonestar, e os chineses da Misheng. Mas enquanto que as propostas dos bancos portugueses e dos fundos são para uma compra directa, a dos chineses é para uma compra em mercado. Daí que Marques Mendes a qualifica como sendo "diferente".

Para já, as informações que já vieram a público é de que, de facto as propostas do BCP e do BPI não são tão boas e que as mais bem posicionadas seriam a dos chineses e a do fundo norte-americano Lone Star (o mesmo que comprou Vilamoura o ano passado). Contudo, há também informações que dizem que a preferência recai sobre a venda directa, o que poderia afastar os chineses da corrida. Ou seja, precisamente por terem uma proposta diferente.

"Os chineses já têm uma presença enorme na economia portuguesa, agora se a proposta, que me parece, é financeiramente a mais forte e se se mantiver assim, evidentemente que tem de ser analisada. E a qualidade do acionista é importante também ser analisada", concluiu.

Ainda a CGD

Foi Marques Mendes que, há mês e meio, deu o alerta sobre a questão da entrega das declarações e da excepção que o Governo tinha feito na lei por caisa da nova administração da CGD. Uma questão que acabou por levar à demissão do presidente, António Domingues, e da sua equipa, e posteriormente à escolha do ex-ministro da saúde de Passos, Paulo Macedo, para liderar o banco público.

"Acho que é uma óptima escolha, se tivesse sido a primeira escolha provavelmente tinha-se ganho tempo. São ambos tecnicamente muito competentes. Só que Paulo Macedo tem mais do que Domingues naquilo que é importante para a CGD", disse.

E continua: "Tem mais mundo, tem uma capacidade de liderança que António Domingues não tinha. António Domingues nunca tinha sido o número 1 de nenhuma organização, enquanto que Paulo Macedo liderou o ministério da Saúde, a Autoridade Tributária. Tem outra capacidade de liderança. E acho que Paulo Macedo está muito habituado a gerir situações difíceis. António Domingues teve uma situação difícil nestes últimos tempos e a gestão foi o que se viu".

Além de que, "Paulo Macedo tem este condão" de em "todos os sítios por onde passa, de um modo geral faz bem. Esperamos que também faça bem aqui na Caixa porque a tarefa e difícil".

Sobre a Caixa, Marques Mendes deixou ainda uma nota a Rui Vilar, que será presidente não executivo do banco. "É outra óptima escolha para presidente não executivo. Foi, de longe, o presidente mais marcante que a CGD teve até hoje, e é uma pessoa muito competente em tudo o que faz e sobretudo, com muito bom senso"

Mais críticas a Passos e ao PSD

Já começa a ser habitual nos comentários de Marques Mendes haver algumas críticas ao PSD e a Pasos Coelho e, este domingo, não foi diferente.

A primeira foi à insistência em criticar a situação na CGD (Passos disse que Paulo Macedo não chegava para a resolver os problemas do banco) agora que já está resolvida.

"O PSD teve razão em muitas das questões que levantou nos últimos tempos, mas como diz o povo, tudo o que é demais é erro. E neste momento, em que há um virar de pagina, querer continuar a fazer da CGD um saco de boxe, isso é muito mau. Fica a ideia de que é uma birra ou uma obsessão ou de não está muito feliz por a Caixa continuar a ser pública"

Outra crítica foi à demora em escolher um candidato à Câmara de Lisboa, principalmente agora que Santana Lopes decidiu não se candidatar.

"É uma decisão totalmente legítima. Agora, é tem consequências políticas sérias. Para Fernando Medina foi a sorte grande que lhe saiu. Para Assunção Cristas é uma espécie de presente de Natal e para Passos Coelho é um embaraço de todo o tamanho", disse.

E acrescenta: "Agora tem três hipóteses: Ou apoia Assunção Cristas e acho que nesta altura é uma humilhação e não é por opção, mas sim por medo de ter um mau resultado. Se apresenta um candidato mais frouxo pode ficar ficar atrás de Cristas e isso seria outra humilhação. Ou, então, Passos Coelho tem aqui um momento surpreendente e tem um coelho na cartola, ou seja, um bom candidato, e tudo pode mudar. Até aqui esteve muito dependente de Santana Lopes".

Ainda outra crítica ao PSD refere-se à ausência do partido nas comemorações do 1º de Dezembro.

"O PSD esteve mal. Se faltou por causa da reposição do feriado mostra ressabiamento. Se faltou por outra razão, não fica bem, porque é o dia que se assinala a independência do país".

E por falar em ficar mal na fotografia, Marques Mendes notou ainda que também o Bloco de Esquerda esteve mal, quando se recusou a levantar a aplaudir a presença do rei de Espanha no Parlamento.

"Foi uma atitude descortês e gratuita. Goste-se ou não do regime político espanhol, a Monarquia espanhola é constitucional, é democrática e é sufragada. Foi quase falta de educação", comentou.