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Juros da dívida iniciam dezembro em montanha russa

Uma subida quase global no primeiro de dezembro, seguida de uma descida generalizada na segunda sessão. Juros das Obrigações portuguesas a 10 anos caem para 3,68% na sexta-feira. Impacto do referendo italiano deste domingo e reunião do BCE na quinta-feira na agenda da próxima semana

Jorge Nascimento Rodrigues

A trajetória no mercado secundário da dívida soberana no prazo de referência, a 10 anos, não está, ainda, definida neste início de dezembro.

Na primeira sessão do mês, registou-se um movimento altista generalizado, com as yields das obrigações alemãs, britânicas, francesas e irlandesas a destacarem-se nas subidas, com aumentos de 10, nove e oito pontos base respetivamente. No dia seguinte, verificou-se uma descida global, com particular destaque para as yields dos títulos britânicos, irlandeses e italianos, a caírem entre 14 e 15 pontos base.

A dívida portuguesa no prazo de referência registou o mesmo padrão de desempenho no mercado secundário. As yields subiram sete pontos base entre 30 de novembro e 1 de dezembro e desceram nove pontos base entre 1 e 2 de dezembro. Fecharam o mês de novembro em 3,72% e encerraram sexta-feira em 3,68%. Não foram as que mais subiram no dia 1, nem foram as que mais desceram no dia 2. Em relação ao final de novembro, as yields nos títulos portugueses a 10 anos desceram quatro pontos base.

Endividamento público com juros em mínimos findou

Há uma tendência que se pode assinalar neste último quadrimestre do ano e que a vitória de Trump nas eleições norte-americanas em novembro consolidou: o custo de financiamento da dívida das economias desenvolvidas ficou mais caro. Os Estados estão a pagar mais para se endividarem. Muitos analistas sublinham que a era dos juros em mínimos históricos findou.

Os investidores estão a exigir taxas de remuneração mais elevadas a 10 anos, a começar pelos Estados Unidos, com as yields das US Treasuries em 2,39%, e a Alemanha, que, agora, paga 0,28% nas Bunds (quando até início de outubro eram os investidores que 'pagavam' para comprar títulos germânicos, pois as yields estavam em terreno negativo naquele prazo de referência).

As yields atuais no mercado secundário para as obrigações espanholas, irlandesas, italianas e britânicas, no prazo a 10 anos, estão já muito acima dos mínimos históricos registados no segundo semestre deste ano. Em julho, as yields das Bunds desceram para um mínimo de -0,2% (taxa negativa). Em agosto, as taxas das Gilts britânicas caíram para 0,52%. No mesmo mês, as yields das BTP italianas fixaram um mínimo de 1,05%. Em setembro, foi o mês das yields dos títulos irlandeses caírem para 0,33% e das taxas das obrigações espanholas descerem para menos de 0,9%. O choque do Brexit havia empurrado as taxas destas dívidas para mínimos históricos.

O choque Trump provocou o efeito contrário. No fecho da segunda sessão de dezembro, as taxas, no prazo a 10 anos, estão quase no triplo para a Irlanda, mais do dobro para o Reino Unido, e quase o dobro para Espanha e Itália. No caso das Bunds passaram de terreno negativo para positivo. O ‘disparo’ foi significativo.

Juros da dívida portuguesa a 10 anos subiram 100 pontos base desde agosto

A taxa portuguesa das Obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário atingiu a 15 de agosto um mínimo desde meados de janeiro quando desceu para 2,69%. Atualmente, está quase 1 ponto percentual (100 pontos base) acima. O stresse da especulação em torno de um corte do rating de Portugal para 'lixo financeiro' pela DBRS (que não se verificou) e o efeito Trump acabaram por inverter a trajetória de descida das taxas portuguesas.

No entanto, o nível atual das yields, naquele prazo, está cerca de meio ponto percentual abaixo de 4,1% registado em fevereiro no auge da crise do Grexit e do impacto negativo internacional a uma decisão do Banco de Portugal sobre dívida sénior do Novo Banco.

A agenda das duas próximas semanas vai ser marcada pelo impacto no mercado da dívida dos resultados do referendo constitucional em Itália deste domingo, da reunião do Eurogrupo na segunda-feira (onde se espera um visto positivo sobre o andamento da segunda revisão ao terceiro resgate grego e uma discussão sobre medidas de alívio da dívida helénica a médio prazo), da reunião do Banco Central Europeu a 8 de dezembro (com o balanço do programa de compra de ativos no menu, sofrendo uma forte pressão alemã para uma descontinuação) e da reunião da Reserva Federal norte-americana a 13 e 14 de dezembro (onde os mercados esperam uma subida das taxas de juro de referência para o intervalo entre 0,50% e 0,75%).

  • Os mercados de ações perderam 0,29% nas duas primeiras sessões do mês. A maior queda regista-se nas praças das economias emergentes. PSI 20 perdeu 1,4%