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Bolsas. Dezembro começa no vermelho

Os mercados de ações perderam 0,29% nas duas primeiras sessões do mês. A maior queda regista-se nas praças das economias emergentes. PSI 20 perdeu 1,4%

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de um mês de novembro positivo, em que as bolsas mundiais ganharam mais de meio por cento graças ao efeito Trump, as duas primeiras sessões de dezembro fecharam com uma perda acumulada de 0,19%, segundo o índice MSCI global.

O grupo que regista maior perdas é o dos 23 mercados emergentes (que inclui, na União Europeia, Grécia, Hungria, Polónia e República Checa). O índice MSCI respetivo recuou 1,13% nas duas primeiras sessões de dezembro. Em novembro tinha afundado 4,7%,

As economias emergentes, no seu conjunto, continuam a revelar uma trajetória negativa iniciada após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas. Segundo os índices MSCI por mercado emergente, nas duas primeiras sessões de dezembro, Brasil, Turquia e Grécia são os mais afetados, e Rússia e Indonésia os mais bafejados.

A segunda maior descida neste início de dezembro, por mais paradoxal que pareça, regista-se no índice MSCI para os Estados Unidos, que abrange 637 cotadas nas bolsas norte-americanas, que recuou 0,39% nestas duas primeiras sessões.

No entanto, a situação nos três principais índices nova-iorquinos é distinta: o Dow Jones 30, que atingiu um máximo histórico a 1 de dezembro, subiu 0,25% no acumulado das duas sessões, enquanto o Nasdaq perdeu 1,27% e o S&P 500 recuou 0,29% naquele período. Estes dois últimos índices fixaram máximos históricos a 25 de novembro.

Amesterdão, Bruxelas e Lisboa assinalam maiores quedas

A Europa, abrangendo 15 praças financeiras, perdeu 0,23% nas duas sessões de dezembro, segundo o índice MSCI respetivo (que exclui a Grécia nos periféricos do euro, considerando-a mercado emergente).

O índice Eurostoxx 50, para as cinquenta principais cotadas na zona euro, recuou 1% e o índice PSI 20, na bolsa de Lisboa, desceu 1,4%, naquele período. As maiores quedas registaram-se nas bolsas de Amesterdão e Bruxelas, com quedas dos índices globais acima de 1,5% no acumulado das duas sessões.

A Ásia Pacífico (economias desenvolvidas e emergentes) escapou ao vermelho, registando um ganho ligeiramente acima da linha de água, de 0,02%, segundo o índice MSCI respetivo.

Os 22 mercados fronteira (economias que ainda não são consideradas emergentes, como Argentina, Nigéria, Vietname e quatro membros da União Europeia) registaram o ganho mais elevado nestas duas primeiras sessões de dezembro, de 0,36%.

Cautela nas análises da era Trump

O pós-vitória de Trump requer alguma cautela na análise das trajetórias nos mercados financeiros. Como sublinha Doug Noland, no seu “Credit Bubble Bulletin” deste sábado, há muitas incógnitas. Apesar das políticas prometidas por Trump gerarem expetativas inflacionistas e de desregulação financeira, as perspetivas económicas globais “permanecem obscuras na melhor das hipóteses”. Os preços recordes atuais das ações nomeadamente em Wall Street “refletem mais expectativas de ganhos no jogo do dinheiro no curto prazo do que uma indicação de um futuro brilhante”.

Além disso, sublinha Noland, é importante ressaltar “a confusão sobre as políticas que efetivamente se vão materializar e a crescente incerteza”. Nomeadamente, a incerteza política (sobretudo na Europa com uma agenda carregada de eventos com risco de provocar choques nos mercados financeiros) e geopolítica (derivada das ruturas que a Administração Trump poderá implementar nomeadamente em relação à Europa e à Ásia, e dos movimentos potenciais que a Rússia poderá tomar aproveitando uma janela de oportunidade de ‘apaziguamento’) vão estar na ordem do dia dos mercados financeiros.

Na agenda de principais eventos de risco político na Europa, como sublinha Marc Chandler, analista de Wall Street, na sua nota a investidores, incluem-se o referendo constitucional em Itália e as eleições presidenciais na Áustria este domingo, e, no calendário eleitoral de 2017, Holanda (eleições legislativas em março), França (eleições presidenciais em abril e maio) e Alemanha (eleições legislativas federais em setembro ou outubro).

Chandler chama a atenção em particular para os impactos de dois desses casos menos mediatizados do que o risco de crise política italiana e de votação renhida na segunda volta das presidenciais francesas: as eleições na Áustria e na Holanda. Uma vitória este domingo do candidato de extrema-direita na Áustria aponta para o reforço de um arco de membros da União Europeia (Áustria, Eslováquia, Hungria, Polónia e República Checa) com governos populistas e defensores de uma estratégia “acomodatícia” com a Rússia. Na Holanda, o partido populista PVV de Geert Wilders lidera as sondagens com 21% de intenções de voto e uma projeção de duplicação da sua bancada parlamentar, transformando-se na maior.

Preço do Brent em alta, depois de acordo no cartel e com a Rússia

A semana que findou ficou marcada pela subida dos preços do barril de petróleo depois do acordo que o cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) firmou na cimeira de Viena no dia 30 de novembro e a convergência de política para os próximos seis meses com outros não-membros grandes produtores, como a Rússia.

O acordo celebrado em Viena aponta para uma redução diária, a partir de janeiro, de 1,2 milhões de barris na produção do conjunto da OPEP. Um entendimento com os não membros da OPEP poderá ser fechado em Moscovo no dia 10 de dezembro, no sentido de um corte diário de 300 mil barris pela Rússia e de outros 300 mil por outros não membros do cartel.

O preço do barril de Brent, que serve de referência internacional, subiu 17,4% desde 29 de novembro e 8% nas duas primeiras sessões de dezembro. O preço do Brent fechou a semana em 54,43 dólares por barril. O cartel volta a reunir-se a 25 de maio.