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Beber copos vai ficar 
mais caro

Jean-François Collobert considera que as bebidas espirituosas são parte da experiência de Portugal enquanto destino turístico

Marcos Borga

Pernod Ricard aumenta preços a partir de janeiro e alerta para o impacto no turismo do aumento do imposto do álcool

O aumento de 3% no Imposto Sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA) vai ser repercutido no preço dos produtos da Pernod Ricard, segundo maior grupo de bebidas espirituosas a operar em Portugal, de acordo com Jean-François Collobert. O diretor-geral da Pernod Ricard Portugal mostra-se preocupado com o dinamismo do mercado (que está em quebra), bem como com o impacto no turismo deste aumento no IABA, previsto no Orçamento do Estado (OE) para 2017, aprovado esta semana.

Durante as últimas semanas, o responsável reuniu-se com os grupos parlamentares, de forma a dar a conhecer o sector no qual opera a empresa que dirige, na esperança de que no OE de 2018 haja uma reposição, à semelhança do que aconteceu com o IVA. “O objetivo é chamar a atenção do poder político sobre este aumento e o seu impacto direto sobre o consumidor, que vai ter de pagar €6,63 de imposto na compra de uma garrafa que custe €15 e as consequências para todos os sectores nos quais temos um impacto, como a restauração e o turismo”, explica.

Segundo os dados avançados por Jean-François Collobert, nos últimos cincos anos (em que houve aumentos deste imposto), o mercado de bebidas espirituosas perdeu quase um milhão de caixas — passando para cerca de 2,5 milhões de caixas —, porque “o incremento IABA tem cada vez mais impacto no volume do mercado”, argumenta.

“Aumentos, primeiro de 2%, seguido de outro de 7,5%, depois de mais um de 5% e a seguir mais duas vezes 3%, fazem ultrapassar cada vez mais níveis de preços que impactam a capacidade de compra dos consumidores”, avança.

O terceiro aspeto a ter em conta é o impacto no turismo. É que Jean-François Collobert reclama para o sector e para a empresa que dirige o facto de fazer parte da marca Portugal e da experiência vivida por quem vem de fora, enquanto parte da atratividade do país. “Somos parte do convívio,da gastronomia, da celebração e da socialização”, remata.

A entrada de produtos de outros Estados-membros — de marcas idênticas a preços mais baixos, devido às tributações mais baixas praticadas nesses países — é outro dos aspetos negativos do novo IABA, que, segundo Collobert, coloca Portugal entre os países da União Europeia com impostos mais altos nesta matéria. “É uma medida muito agressiva que traz muito pouco em termos de recursos adicionais. No ano passado, o Governo orçamentou €200 milhões de receitas do IABA e a receita real foi de €180 milhões. Agora estamos a falar de 3% sobre €200 milhões, o que significa mais €6 milhões orçamentados, o que é muito pouco no orçamento do Estado”, argumenta.

Aumento é inevitável

O responsável alega que o aumento de preço é inevitável. Para ser de outra forma teria de baixar a margem, o que afetaria o modelo económico “porque isso significa baixar a rentabilidade e os investimentos”, diz Collobert, garantindo que ainda não fez contas sobre quanto pode vir a perder em vendas com o aumento de preços.

A Pernod não tenciona alterar a sua estratégia em Portugal, que se centra em três pilares: o uísque (com Jameson como líder), o gin (onde acaba de adquirir o Monkey 47) e o luxo (com todas as versões premium da Perrier Jouet e do Absolut Elyx, entre outras).

Em termos de mercado, a Pernod ocupa a segunda posição a nível nacional, bem como a nível global. Em relação à liderança deste mercado (que é ocupada pela Bacardi), Jean-François Collobert considera que isso é um processo sem data de concretização prevista, avançando que isso não vai acontecer até afinal do ano. “É difícil de dizer quando vai acontecer, é uma dinâmica que está em marcha”, argumenta, revelando que este ano estão mais próximos de atingir a liderança do que no ano passado.