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Presidente angolano diz que reestruturação da Sonangol “está no bom caminho”

STEPHANE DE SAKUTIN / AFP / Getty Images

A afirmação de José Eduardo dos Santos foi feita durante o discurso de abertura da segunda reunião ordinária do Comité Central do MPLA, que se realiza esta sexta-feira em Luanda

O presidente do MPLA e chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, disse esta sexta-feira que a reestruturação da petrolífera estatal Sonangol, liderada desde junho por Isabel dos Santos, "está no bom caminho".

"A implementação do programa de adequação do Banco Nacional de Angola e do sistema bancário nacional à legislação nacional e internacional e boas práticas universais está no bom caminho, assim como a reorganização e melhoria da gestão da Sonangol", afirmou o chefe de Estado e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

A posição foi transmitida no discurso de abertura da segunda reunião ordinária do Comité Central do MPLA, que se realiza esta sexta-feira em Luanda, com José Eduardo dos Santos a abordar a evolução da situação económica do país.

A presidente da Sonangol e filha do chefe de Estado, Isabel dos Santos, disse quinta-feira, em conferência de imprensa, que a petrolífera angolana precisa de uma reestruturação financeira e de 1.569 milhões de dólares (1.476 milhões de euros) para fazer face às necessidades de pagamentos até final do ano.

Face à queda das receitas, a concessionária já não prevê entregar dividendos ao Estado em 2016, mesmo após poupanças já contabilizadas de 240 milhões de dólares (225 milhões de euros).

Após análise e diagnóstico do grupo, nos últimos cinco meses, Isabel dos Santos afirmou mesmo que a situação da Sonangol "é bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado", obrigando a "decisões de gestão com caráter de urgência".

Na intervenção desta sexta-feira, perante os membros do Comité Central, José Eduardo dos Santos disse que a execução da estratégia governamental "para saída da crise", que assenta no aumento da produção nacional para incrementar e diversificar as exportações, essencialmente ainda à base de petróleo, e para cortar nas importações, "ganhou um novo fôlego".

Tendo em conta o desempenho do primeiro semestre, influenciado pela forte quebra na cotação internacional do barril de crude, acrescentou que os preços dos produtos da cesta básica "baixaram em mais de 50%".

"E verificou-se a retoma da atividade das empresas que estavam a paralisar, o restabelecimento dos contratos de investimento público, em vários domínios, e o aumento do emprego", apontou.
O Comité Central do MPLA conta desde agosto último com 363 membros e da ordem de trabalhos da reunião de hoje, a segunda do atual mandato, consta a apreciação da estratégia do partido para as eleições gerais de 2017.

Na abertura da reunião, José Eduardo dos Santos pediu ainda um minuto de silêncio em homenagem ao líder cubano Fidel Castro, falecido há uma semana e aliado histórico do MPLA.
O presidente do partido destacou que Fidel Castro "foi o maior amigo de Angola" e uma "figura histórica" do movimento revolucionário.

"Ajudou o povo angolano a conquistar a independência. A defender essa independência. A defender a integridade territorial e todas as conquistas então alcançadas", enfatizou José Eduardo dos Santos.