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Teixeira Duarte cortou 2100 empregos em 12 meses

Com o declínio nos principais negócios, a Teixeira Duarte corta no emprego e regista perdas. Na construção, pediu o estatuto de empresa em reestruturação

Nos últimos 12 meses, o grupo Teixeira Duarte (TD) abateu 2157 empregos. No fim de setembro, o conglomerado contava com 11.534 assalariados, um número que compara com os 13.691 registados em 2015. Desde janeiro, a comunidade laboral reduziu-se em 1825 elementos.

A redução (16%) reflete a quebra registada em 2016 no sector da construção, apesar do comércio automóvel ser o negócio que mais derrapa (52%).

A Teixeira Duarte - Engenharia e Construções apresentou ao Governo, em julho, um pedido para ser declarada em reestruturação, apontando para a saída de 300 trabalhadores do quadro em três anos.

Com o estatuto de empresa em reestruturação, a construtora pode exceder o limite de rescisões amigáveis (80), permitindo que todos os despedidos acedam ao subsídio de desemprego. A TD refere que a maioria dos trabalhadores que serão dispensados “é redundante na atual estrutura” ou estão alocados a obras que já terminaram.

Angola reduz, Venezuela desaparece

A Teixeira Duarte não escapa ilesa da sova que a economia angolana está a levar, sofrendo com a exposição ao país na construção, comércio automóvel, distribuição e hotelaria.

Até ao fim de setembro, o negócio em Angola reduziu 164 milhões de euros (-32%), surgindo como a principal causa para a queda de 16% na faturação do conglomerado – 828 milhões de euros face aos 1005 milhões registados em setembro de 2015.

Dos sete segmentos em que a TD opera, o comércio automóvel foi o negócio mais castigado, quebrando para metade – passou de 139 milhões para 67 milhões. A construção está em declínio (-17%), representando 43% da receita global.

Em termos relativos, a Venezuela é o mercado que mais cai (44%), mas neste caso o mais relevante é que o mercado tornou-se residual, contribuindo com 13,4 milhões de euros. Se o Brasil (-3%) aguenta, as boas notícias em 2016 resultam dos desempenhos na construção na Argélia (+20%) e Moçambique (+12%).

A Teixeira Duarte fechou os primeiros nove meses de 2016 com perdas de 26,3 milhões (lucros de 17 milhões em 2015), justificadas pelo efeito cambial e mais imparidades (16 milhões) na participação no BCP. Os resultados financeiros agravaram-se. Até ao fim de setembro foram negativos em 97 milhões, um desempenho desfavorável face aos 66 milhões de 2015.