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OCDE prevê crescimento de 1,2% em 2017

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) está mais pessimista do que o Governo, estimando que a economia portuguesa cresça 1,2% em 2017, devido à falta de investimento, causada pela fragilidade da banca e pelo endividamento empresarial

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) está mais pessimista do que o Governo e prevê que a economia portuguesa cresça 1,2% em 2017, devido à falta de investimento, causada pela fragilidade da banca e pelo endividamento empresarial. No Orçamento do Estado para 2017, o Executivo conta com um crescimento de 1,5% no próximo ano. Para este ano, no entanto, a organização 'confirma' a projeção do Governo.

"Projetamos que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneça subjugado, num [crescimento] de cerca de 1,25% em 2017 e 2018. O alto endividamento das empresas e a fragilidade do setor bancário vão continuar a limitar o investimento privado e o desemprego, ainda elevado, vai limitar o crescimento do consumo", afirma a OCDE, nas previsões económicas divulgadas hoje.

A OCDE prevê que a economia portuguesa avance 1,2% em 2016, em linha com o previsto pelo Governo, mas é mais pessimista do que o executivo liderado por António Costa para os dois próximos anos, prevendo que o ritmo de crescimento se mantenha em 1,2% em 2017 e que acelere ligeiramente para 1,3% em 2018, contra 1,5% e 1,9%, respetivamente.

No relatório divulgado esta segunda-feira, que foi preparado pelo departamento de Estudos Económicos liderado pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira, a OCDE mostra-se preocupada com a banca portuguesa, sobretudo quanto ao pesado stock de crédito malparado que, considera, está a impedir o financimento às empresas.

Necessário resolver malparado

Nesse sentido, a instituição sediada em Paris defende que "é necessário retirar os empréstimos problemáticos dos balanços dos bancos e criar novas formas de financiamento para facilitar o investimento".

A OCDE considera que o uso de fontes alternativas de financiamento poderiam ser melhoradas através da redução dos benefícios fiscais atribuídos às empresas por se financiarem junto da banca, considera a OCDE, admitindo que pode ser necessário mais "apoio público" ao sector.

Salientando que o investimento, quer privado, quer público, está em níveis "historicamente fracos", a entidade liderada por Angel Gurría considera que o alto endividamento das empresas e a "elevada incerteza estão a limitar o investimento empresarial, que é crucial para sustentar o crescimento das exportações".

A OCDE defende, por isso, que impulsionar o investimento e a produtividade são "elementos chave para aumentar os níveis de vida e de crescimento" económico.

Nesse sentido, a instituição defende que os "incentivos ao investimento devem ser reforçados através de reformas que simplifiquem os procedimentos administrativos, incluindo a regulamentação do uso dos solos, melhorias na eficiência judicial para facilitar os procedimentos de insolvência e facilitar a entrada em certas categorias profissionais".

A entidade liderada por Ángel Gurría defende também que é "crucial aumentar as qualificações para aumentar a produtividade" do país, incluindo a expansão contínua da educação e treino para adultos e um sistema de educação vocacional mais eficiente. Além disso, a taxa de desemprego caiu mas o desemprego estrutural permanece "criticamente elevado".

Nas previsões divulgadas esta sexta-feira, a OCDE estima uma taxa de desemprego de 11% este ano, de 10,1% em 2017 e em 2018. Prevê ainda uma taxa de inflação de 0,7% este ano e de 1,1% em 2017 e 2018.