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CGD: Demissão de Domingues não compromete luz verde de Bruxelas à recapitalização

Comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager

YURI GRIPAS

A saída de António Domingues da presidência da Caixa não põe em causa o plano de recapitalização do banco público. A Direção Geral da Concorrência europeia não se agarra a nomes, mas a nova gestão deverá dar seguimento ao acordo de princípio

A demissão de António Domingues da presidência da Caixa Geral de Depósitos (CGD), noticiada ao início da noite de domingo, por si só, não coloca em causa a aprovação da Direção-Geral da Concorrência europeia (DG Comp) ao plano de reestruturação do banco público, apurou o Expresso e noticiou a 12 de novembro.

A entidade liderada pela comissária europeia Margrethe Vestager "quando aprova um plano não está agarrada a nomes", disse então fonte da Comissão Europeia. Porém, não lhe é indiferente a credibilidade e a competência de quem vai executar o plano. A escolha da liderança da Caixa cabe sempre ao Estado, acionista único. António Costa já veio dizer que apresentará um nome para substituir Domingues ainda esta semana.

Foi António Domingues quem, em conjunto com as Finanças, negociou o plano de recapitalização do banco, por isso, o novo presidente teria de concordar com o modelo. Caso contrário, o processo teria de voltar à Direção Geral da Concorrência. Voltar a negociar um plano de recapitalização para Caixa é um cenário indesejado e seria uma nova dor de cabeça para o Governo de António Costa.

Bruxelas quer que se cumpra acordo

A Comissão Europeia já veio dizer que a nova administração deverá dar continuidade ao acordo de princípio sobre a recapitalização do banco público fechado em agosto. “O acordo de princípio sobre recapitalização já foi negociado em agosto e a Comissão Europeia continuará a trabalhar com base nele”, disse Valis Dombrovskis, em conferência de imprensa. O comissário europeu para o Euro sublinhou ser “importante que as autoridades portuguesas e a nova gestão da Caixa Geral de Depósitos [CGD] continuem a cumprir o acordo”.

Continua a desconhecer os termos em que a recapitalização da Caixa vai ser feita. Aliás, ainda estarão a ser avaliados pela Deloitte os cenários e variáveis macroeconómicas apontados pela administração de António Domingues e que irão determinar as verdadeiras necessidades de capital. Mas já se sabe que a recapitalização da Caixa só vai avançar em 2017.

Estava prevista a injeção em dinheiro de até 2,7 mil milhões de euros e ainda a emissão de obrigações no valor de mil milhões de euros.