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Fidelização : a liberdade sai cara

josé carlos carvalho

Este verão a lei mudou. O Governo obrigou as empresas de telecomunicações a oferecerem sempre alternativas de contratos sem fidelização e fidelizações menores, de 6 meses e 1 ano. A nova lei devia servir para haver mais liberdade de escolha. Será que resultou?

Pedro Andersson/SIC

Na maior parte dos casos não. Vamos por pontos, para saber com o que conta, porque provavelmente é cliente destes serviços de TV+NET+VOZ e de telemóveis. Portanto, mais dia menos dia, vai ter de fazer estas contas.

Para ter os melhores preços tinha de ficar fidelizado 24 meses (ainda é assim). Se rescindisse o contrato antes dos 2 anos, teria de pagar as mensalidades em falta até ao fim do contrato.

Com a nova lei, a penalização já não é o valor das mensalidades em falta, mas o da instalação e de todos os serviços que lhe “ofereceram” promocionalmente a dividir pelos meses que faltam. Já lá vamos.

As operadoras são obrigadas por lei a apresentar de forma acessível e clara pacotes com fidelização para 1 ano, para 6 meses e sem fidelização. Mas andar à procura dessa informação é como andar à procura de agulha em palheiro, porque é preciso clicar em links minúsculos nas páginas de internet das empresas. A publicidade vai toda para os pacotes com fidelização a 24 meses. A exceção é a Nowo (a antiga Cabovisão).

A Nowo só tem fidelização de 1 ano ou de 6 meses. Com 90 canais digitais, se pagar €150 euros, fica a pagar cerca de 25 euros por mês e pode desistir quando quiser. É o preço da liberdade. No site deles vai construindo o seu pacote, e só paga os serviços que quiser. É a novidade no meio de fracas opções. Infelizmente, a oferta da Nowo é pequena geograficamente, mas o princípio da oferta com menor fidelização parece-me ser um bom exemplo.

De acordo com a DECO, a intenção da lei era boa, mas agora os preços para novos contratos são tão altos que as opções com menor fidelização continuam a ser inatingíveis. Na MEO, a liberdade de sair quando quiser vai custar-lhe mais 952 euros do que se ficar fidelizado 24 meses. Na Vodafone, mais 770 euros. E na NOS vai acabar por pagar mais 633 euros. Na Nowo, paga no máximo 150 euros pela instalação, seja qual for o pacote sem fidelização. Com fidelização não paga, como em todos os outros.

Mas há mais: com a nova lei ou por outros motivos, os preços das mensalidades, da instalação e de alguns serviços aumentaram nas grandes operadoras.

A partir do verão, como já disse, nos novos contratos aquilo que tem de pagar são apenas os custos de instalação e os serviços adicionais que lhe ofereceram enquanto foi cliente. Com esta alteração, as indemnizações iam (em teoria) passar a ser mais pequenas. Mas como aumentaram este ano o preço da instalação e o preço do valor dos canais que ofereciam, se quiser sair daqui a uns meses vai acabar por pagar praticamente o mesmo que antes da nova lei. Estas regras só se aplicam a novos contratos. Os antigos continuam como estão.

Portanto, antes de assinar qualquer contrato de telecomunicações informe-se bem sobre quanto terá de pagar se quiser desistir. A instalação nas várias empresas ronda agora os 300 euros (e pode chegar aos 400), mesmo que seja só ligar uma ficha lá em casa. Faça todas as perguntas antes de assinar. Porque desistir depois pode sair caro.