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“Com juros tão baixos, não há necessidade de reestruturar a dívida”

Markus Brunnermeier, Professor na universidade de Princeton nos EUA

Brunnermeier defende uma “combinação saudável” entre política monetária e orçamental

Não é todos os dias que encontramos um economista alemão a defender estímulos orçamentais. Nem a admitir a possibilidade de reestruturar a dívida ainda que, para já, a questão não seja urgente. Mas Markus Brunnermeier também não é um alemão ortodoxo. Aos 47 anos, é professor em Princeton, nos EUA, e um dos 20 académicos mais citados do mundo entre aqueles que iniciaram atividade nas últimas duas décadas. Tem-se dedicado a estudar política monetária, macroeconomia, mercados financeiros e fez parte, entre outras coisas, do laboratório para o estudo de bolhas financeiras criado pelo antigo presidente da Reserva Federal dos EUA, Ben Bernanke, em Princeton. Brunnermeier falou com o Expresso, por Skype, a propósito do seu novo livro — “The Euro and the Battle of Ideas” — escrito em parceria com Harold James e Jean-Pierre Landau, ainda sem edição em português.

“O Banco Central Europeu está a fazer muito, mas deve haver uma combinação saudável entre as políticas orçamental e monetária”, responde quando questionado se, como têm defendido vários economistas, é tempo de os governos darem uma mãozinha a Mario Draghi. Não tem qualquer dúvida sobre isso. Mas “o estímulo deve ser diferente de país para país” e deve haver reformas estruturais em paralelo com medidas de estímulo orçamental. Cada caso é um caso e Brunnermeier sabe-o bem, não é fácil convencer países como a Alemanha que este é o caminho. Mesmo que os indicadores económicos — em particular a inflação ainda longe da meta de 2% definida pelo BCE mas não só — mostrem que Draghi sozinho pode não conseguir dar conta da situação.

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