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Wall Street adora Trump

Não foi amor à primeira vista. Mas Wall Street não pára de bater máximos sucessivos. A paixão por Trump é evidente. Vai durar?

Mais uma sessão de Bolsa e novo dia de máximo histórico para o índice Dow Jones Industrial Average. O S&P 500 também tem batidos recordes. Tal como o Russell 2000. O Nasdaq, apesar de estar um pouco mais de pé atrás, também registou um máximo de sempre no dia 22 de nobvembro e mantém-se próximo do recorde.

Mas afinal, o que atrai tanto em Trump? "Os investidores continuam muito optimistas para a administração Trump e, com a Europa a debater-se com dificuldades estruturais na banca e baixo crescimento económico, preferem reforçar a alocação geográfica aos Estados Unidos", diz Steven Santos, gestor do BiG.

"As ações nos EUA estão muito suportadas nas políticas protecionistas de Trump. E penso que existe uma rotação de investimentos, com os investidores a sair de empresas mais ligadas à globalização (como as tecnológicas) e a entrar em empresas de construção e indústria", afirmou Luís Tavares Bravo, gestor da DIF Broker.

Donald Trump venceu as presidenciais norte-americanas e além de defender medidas protecionistas, promete investimentos fortes em infraestruturas no país, com mais crescimento económico. Significa inflação mais alta e também subida de taxas de juro. As expectativas de uma subida de taxas de juro em dezembro estão cada vez mais altas e dão quase 100% como certa uma ação nesse sentido por parte da Reserva Federal norte-americana.

Algumas tecnológicas têm sofrido com Trump "O Nasdaq 100 tem sido penalizado pelo desempenho relativamente mais fraco do grupo de acções FANG (Facebook, Amazon, Netflix e Google ou Alphabet) e pela ameaça que Trump pode constituir para Silicon Valley", explica Steven Santos.

"Se a administração Trump avançar com medidas proteccionistas e aplicar elevadas taxas alfandegárias, a China poderá retaliar com o bloqueio do Facebook e doutros serviços dentro do país".

Já a valorização de matérias-primas relacionadas com o crescimento económico, como o crude, o gás natural e o cobre, "tem sustentado os sectores petrolífero e de materiais dos índices norte-americanos e o sentimento dos investidores", aponta Santos.

Isto num cenário em que o dólar está em máximos de 14 anos face a um conjunto de principais moedas a nível mundial.

Com o coração partido ficaram os investidores em obrigações soberanas. "A rápida valorização do dólar tem-se traduzido numa venda forte das obrigações norte-americanas (Treasuries) e das obrigações dos países emergentes, não impedindo os investidores de investir em acções de empresas altamente exportadoras", afirma Steven Santos.

Mas, perante subidas e recordes em Wall Street, a questão se 2017 vai ser o ano de um crash nas Bolsas, volta a surgir. "As ações nos EUA estão a negociar com múltiplos caros", lembra Bravo. "Em geral, está tudo muito 'esticado'".

Mas, para já, não há sinais de arrefecimento nesta nova relação entre Wall Street e Trump.

O Dow Jones registou hoje novo máximo em 19.146,22 pontos e o S&P 500 em 2210,75 pontos. Numa sessão em que Wall Street encerra mais cedo após o feriado de ontem do Dia de Ação de Graças, estes índices seguem com ganhos de cerca de 0,3% (16H00).

Na Europa, o STOXX Europe 600 subiu 0,2%. Em Lisboa, o PSI-20 somou 0,39%