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Vinho do Porto. Portugal ameaça destronar França como primeiro mercado

Rui Duarte Silva

O mercado português é o que regista maior crescimento desde 2011. Já os franceses estão a cortar no consumo de vinho do Porto

O mercado português ameaça destronar a França como campeão, em valor, no consumo de vinho do Porto. Os portugueses estão a comprar mais vinho do Porto, mas o efeito turismo distorce a dimensão real do mercado português.

Em 2016, a França permanecerá ainda como líder incontestado, com uma quota de 21% na receita total - Portugal representará 19%. Mas, analisando a evolução nos últimos 10 anos, o gráfico indicia que a ultrapassagem está para breve.

As vendas em Portugal aceleraram a partir de 2011, enquanto as exportações para França registam um gradual e persistente declínio - em oito anos a receita reduziu-se em 13 milhões de euros.

Portugal em máximos

A partir de 2008 (88 milhões de euros) o mercado francês esteve sempre em queda e deve terminar 2016 a valer 75 milhões.

Já o mercado português que, na década anterior chegou a ser ultrapassado, em volume, pela Holanda, apresenta uma trajetória ascendente. Recuperou de um mínimo de 50 milhões (2011) e deve terminar 2016 com uma receita de 68 milhões de euros.

Este ano é um dos mercados que mais cresce em valor - 10 por cento, beneficiando de um novo impulso nas categorias especiais (+38%). O sector, até ao fim de setembro, registava uma ligeira redução (-0,5%).

Em volume, França permanece como líder incontestado, com uma quota de 30% (2,3 milhões de caixas).

Turismo e apreciadores portugueses

Os produtores apontam o aumento exponencial do turismo, em especial no Porto e Douro, como primeiro fator da prosperidade do negócio doméstico, realçando que uma dose das vendas configura exportações disfarçadas. Por ano, as caves de vinho do Porto, em Gaia, recebem mais de um milhão de visitantes.

Manuel Novaes Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) reconhece o mérito do efeito turismo, mas regista “um crescente interesse e conhecimento dos consumidores portugueses, disponíveis para pagar mais pelo vinho”. No caso do Porto, essa nova atitude reflete-se "no aumento do peso das categorias especiais e no preço médio praticado pelo sector". E o prestígio internacional "dos vinhos da região do Douro contagiam os consumidores nacionais", acrescenta o presidente do IVDP.

Numa análise temporal mais alargada, Manuel Cabral nota que o desempenho em 2015 em Portugal igualou o que se registara em 1999, e que face ao recorde de 2002, o mercado doméstico regrediu 13%. Já a exportação para França dá sinais de fraqueza desde o fim da década de 1990.

Avaliando a evolução dos principais mercados na última década, verifica-se que a Bélgica mimetiza o desempenho francês e apresenta uma trajetória descendente acentuada. Reduziu de 41,7 milhões para 33,5 milhões (2015) e este ano volta a perder (-15%).

Holanda está igualmente em queda ligeira (este ano recupera) e resiste acima dos 40 milhões de euros. Reino Unido e Estados Unidos apresentam um comportamento volátil, ao sabor de novos lançamentos, das pontuações dos vintages nas revistas especializadas e das oscilações cambiais.

Nos últimos 10 anos, os cinco principais mercados reduziram o contributo para o negócio global. Em 2006, pesavam 81%, este ano ficará nos 71%, refletindo uma maior diversidade de destinos e o reforço de mercados em ascensão como Polónia, Rússia e Japão.