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Juros da dívida. Portugal lidera descidas durante a semana

A semana que findou saldou-se por descidas nos juros das obrigações no mercado secundário. Uma exceção na zona euro foi França. Prémio de risco subiu para França, Bélgica, Espanha e Itália

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos desceram 25 pontos base (0,25 pontos percentuais) durante a semana no mercado secundário. Foi a maior descida na zona euro, ultrapassando as registadas para outros dois periféricos, a Grécia e a Irlanda, cujas yields naquele prazo recuaram 19 e 11 pontos base respetivamente.

Depois de um pico de nove meses a 18 de novembro, fechando em 3,85%, as yields das OT naquela maturidade de referência encerraram esta sexta-feira ligeiramente abaixo de 3,6%. Mesmo assim, ainda 38 pontos base acima do nível registado a 8 de novembro, dia das eleições presidenciais nos Estados Unidos, antes do conhecimento da vitória de Donald Trump.

No caso de Espanha e de Itália, a redução semanal das yields foi apenas de 1 ponto base. Para as obrigações italianas a 10 anos, as yields ainda se mantêm 37 pontos base acima do nível registado a 8 de novembro. O ‘efeito Trump’ levou a que as yields das obrigações italianas, naquele prazo de referência, galgassem os 2%.

Efeito Trump faz disparar juros das obrigações norte-americanas

França destacou-se por registar, durante a semana, uma subida de 5 pontos base nas yields das obrigações a 10 anos.

Fora da Europa, as yields das obrigações norte-americanas, naquele prazo de referência, subiram 1 ponto base. Desde 8 de novembro são recordistas, com uma subida de 50 pontos base, meio ponto percentual, de 1,86% para 2,36% no fecho desta sexta-feira. Esta é a alteração mais importante no quadro do custo de financiamento da dívida soberana nas economias desenvolvidas.

Grécia e Portugal registaram esta semana as maiores descidas no prémio de risco na zona euro. Um recuo de 22 pontos base no caso português, com o prémio de risco a baixar para 336 pontos base. Portugal liderou as descidas no risco, face a um recuo de 14 pontos base para a Grécia e 6 pontos base para a Irlanda.

Em contraste, o prémio subiu 10 pontos base para França, 6 para a Bélgica, 4 para Espanha e 3 para Itália. A distância entre o risco português e o espanhol e italiano encurtou-se esta semana.

Prémio de risco duplica para França

O prémio de risco da dívida portuguesa em 336 pontos base significa que o custo do seu financiamento está cerca de 3,4 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência, no prazo a 10 anos. A distância em relação a outros periféricos do euro continua a ser significativa. O prémio está em 69 pontos base para a Irlanda, 137 para Espanha e 187 para Itália.

A 8 de novembro, antes do ‘efeito Trump’, o prémio da dívida portuguesa era de 303 pontos base. Os três membros do euro que registam os maiores aumentos (em pontos base, pb) do prémio de risco, desde o ‘choque’ da vitória de Trump, foram, até agora, Portugal (33 pb), Itália (33 pb) e França (31 pb). No caso francês, o prémio duplicou, de 29 pb a 8 de novembro para 60 pb no fecho de hoje.

Rentabilidade da dívida italiana agrava-se

Itália e Portugal registam rentabilidades negativas na sua dívida obrigacionista. São as duas economias do euro nessa situação face a um retorno médio, desde início do ano, de 2,18% para o conjunto da zona euro e de 2,7% para as economias desenvolvidas, segundo o indicador da Bloomberg.

Esta semana, a rentabilidade portuguesa melhorou, enquanto o retorno italiano piorou. Medido desde início do ano, o retorno da dívida portuguesa melhorou, subindo de -4,12% a 18 de novembro (um máximo de nove meses) para -2,88% a 24 de novembro. No caso de Itália, o retorno negativo agravou-se de -1,13% para -1,21%, durante a semana.

No final de outubro, o retorno da dívida portuguesa era de -1,65%, depois de ter chegado a -3% a 7 de outubro (no auge do stresse do risco do rating de Portugal ser cortado para 'lixo financeiro', devido aos rumores desde início de setembro em torno da decisão que a DBRS tomaria a 21 de outubro). No caso da dívida italiana, a rentabilidade, no final do mês passado, era positiva, de 1,46%. Novembro marca uma viragem para terreno negativo.

A 4 de dezembro realiza-se um referendo constitucional em Itália, cujos resultados são incertos. A incerteza política sobre o desfecho do referendo italiano está a agravar claramente o efeito Trump no caso do país transalpino, a oitava economia do mundo.