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Assembleia do BPI. Violas lança suspeitas sobre adiamento

Nuno Fox

Tiago Violas desconfia que a razão do adiamento da assembleia do BPI para aprovar a venda de 2% do Banco de Fomento Angola está na transferência dos dividendos de Angola

Tiago Violas Ferreira, que representou a holding da família na assembleia geral (AG) do BPI realizada esta semana no Porto, suspeita que a razão invocada pelo CaixaBank para adiar a AG não é verdadeira.

O adiamento da decisão da venda de 2% do Banco Fomento Angola (BFA) à Unitel não terá nada a verr com a aprovação da operação pelo Banco Central Europeu (BCE), mas sim com a transferência dos dividendos de Angola.

Num artigo de opinião publicado esta sexta feira no “Jornal de Negócios”, Tiago recorda que um dos pressupostos da proposta enviada pelo BPI para a Unitel sobre para a operação no BFA “era que Unitel e BFA fizessem todos os esforços para que o BPI recebesse até dia 9 de dezembro” os 66 milhões de dividendos em atraso do BFA e mais os 30 milhões de dólares da última prestação da venda do BFA.

E se o Banco de Angola não autorizar?

“Pode ser, e é até bastante provável, que a verdadeira razão do adiamento desta AG para o próximo dia 13 de dezembro seja aguardar pela confirmação do pagamento destes montantes ao BPI”, escreve Tiago Violas. E o que acontecerá “se o Banco Nacional de Angola não der permissão e os cerca de 100 milhões de euros não entrarem nos cofres do BPI?”, interroga, questionando depois se a “inexplicável linha de crédito de 400 milhões de euros que o CaixaBank concedeu à República de Angola terá finalmente aqui a sua explicação”.

O CaixaBank justificou o adiamento da AG pela conveniência de aguardar a confirmação formal do BCE de que a solução encontrada é suficiente para resolver a exposição excessiva a Angola. Interrogado sobre o que aconteceria em caso de resposta negativa do BCE, o presidente executivo do BPI, conta Tiago Violas, "apressou-se a dizer que em todos os contactos mantidos entre o BPI e o BCE foi garantido que este formato responde a todas as suas exigências, embora não exista uma confirmação escrita formal".

A suspensão da AG foi aprovada por 65% dos acionistas presentes (84% do capital). Dos principais acionistas, só o Caixabank e Allianz terão votado a favor.